Que o maior medo de Bolsonaro é ser preso ou ter um filho preso já é perceptível em suas atitudes e pronunciamentos há algum tempo. O que surge agora, em supostas conversas de bastidores, é que este medo poderia ser usado contra ele, para retirá-lo da disputa presidencial e beneficiar, finalmente, algum candidato de direita que se proclama representante de uma terceira via – em linguagem clara, uma forma de barrar a provável vitória de Lula.
Desesperados com os resultados de todas as pesquisas, que têm apontado a inviabilidade de qualquer candidato que não seja Lula e o próprio Bolsonaro, os pretendentes a terceira via podem ter plantado uma novíssima tese, segundo a qual Bolsonaro aceitaria desistir da eleição em troca da sua proteção e de sua família. Uma espécie de “com STF com tudo” em versão 2 ponto zero. Teria de ser algo como uma anistia. Mas, a rigor, a impunidade dos Bolsonaro dependeria do Congresso e, também, do Judiciário.
Segundo a coluna de Mônica Bérgamo de hoje, a possibilidade de Jair Bolsonaro (sem partido) não disputar a a sucessão de 2022 já começou a ser discutida entre os principais líderes do centrão. Por esse raciocínio, em vez de insistir em contestar as eleições em caso de dificuldade de vitória, o presidente escolheria outro candidato para apoiar, escapando de uma derrota fragorosa nas urnas.
Bolsonaro, em troca, tentaria garantir apoio para se defender de processos na Justiça contra ele e os filhos, considerados inevitáveis caso ele deixe o poder.
O próprio Bolsonaro já levantou a risco de ser preso ao discursar no dia 7 de setembro para apoiadores — dizendo que isso pode ser tentado, mas que nunca ocorrerá. “Eu nunca serei preso”, disse.
A preocupação em evitar o pior na Justiça seria central no raciocínio de Bolsonaro, consideram os líderes do centrão que convivem com o presidente e apoiam seu governo.






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