O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, deve deixar ainda nesta segunda-feira (29) a Penitenciária Serrano Neves, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Justiça expediu o alvará de soltura do artista, que ficou preso por dois meses acusado de crimes ligados ao tráfico. A decisão estabelece que ele responderá ao processo em liberdade, mas com uma série de medidas cautelares.
Acompanhando a movimentação, MC Poze do Rodo chegou ao presídio por volta das 15h50 para apoiar o amigo. O gesto repete o que ocorreu em junho, quando Oruam esteve na porta da cadeia para aguardar a saída de Poze, ocasião marcada por tumulto e uso de spray de pimenta pela PM.
Decisão judicial e restrições
O juiz responsável pelo caso acatou o argumento da defesa de que não havia fundamentos concretos para manter a prisão preventiva. Entre as condições impostas, estão: comparecimento mensal em juízo, manutenção de endereço fixo, proibição de acesso ao Complexo do Alemão e a áreas consideradas de risco, restrição de contato com outros acusados, recolhimento domiciliar noturno das 20h às 6h e monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Na decisão, o magistrado destacou que a quantidade de drogas apreendida — 73 gramas de cocaína — não justificava, por si só, a manutenção da prisão, especialmente considerando a primariedade e os antecedentes do cantor.
Histórico da prisão
Oruam se entregou à polícia em julho, após ter a prisão decretada sob a acusação de atrapalhar a apreensão de um adolescente de 17 anos envolvido com tráfico e roubos. Ele chegou a ser indiciado por sete crimes, entre eles tráfico de drogas, associação ao tráfico e resistência.
Durante o processo, a defesa sustentou que não havia provas concretas contra o artista e reforçou que ele sempre se colocou à disposição da Justiça.
Relação com a família e trajetória
Filho de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP — preso por homicídio, formação de quadrilha e tráfico, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho —, Oruam também carrega tatuagens em homenagem ao pai e a Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes. A ligação familiar sempre foi alvo de polêmicas e críticas, mas o cantor afirma buscar sua trajetória própria no rap.
Promessa de “dar a volta por cima”
Ao se entregar em julho, Oruam declarou que buscaria retomar a carreira e provar sua inocência. “Só pedir desculpa mesmo. Dizer que eu amo muito meus fãs. Eu vou dar a volta por cima, tropa. Estou com Deus e tá tranquilão. Sou forte!”, disse na ocasião.
Agora, com a liberdade condicionada às restrições da Justiça, o rapper terá que equilibrar a retomada dos palcos com o rigor das medidas cautelares que mantêm seu dia a dia sob vigilância.






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