O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, em meio à escalada do conflito com os Estados Unidos, está provocando uma transformação no transporte de petróleo e combustíveis no Oriente Médio. Para manter as exportações e evitar prejuízos, o Iraque passou a utilizar milhares de caminhões para levar óleo combustível até a Síria, de onde o produto segue pelos portos do Mediterrâneo.
A mudança representa uma das maiores alterações na logística energética da região nas últimas décadas. Tradicionalmente dependente da passagem por Ormuz, o Iraque agora busca rotas alternativas para preservar as exportações e evitar que suas refinarias atinjam o limite de armazenamento.
Síria ganha papel estratégico
Em poucos meses, a Síria deixou de não registrar exportações de óleo combustível para responder por mais de um quarto de todo o volume exportado pelo Oriente Médio.
Os carregamentos chegam aos portos sírios após viagens rodoviárias que podem durar entre quatro e seis dias. O principal destino é o porto de Baniyas, no litoral do Mediterrâneo, que passou a receber milhares de caminhões carregados de combustível.
Além da Síria, parte das cargas também está sendo enviada por terra até o porto jordaniano de Aqaba, no Mar Vermelho.
Ormuz continua sendo ponto crítico
Antes da crise, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passava pelo Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores marítimos mais importantes do planeta.
Com o bloqueio da passagem, países produtores aceleraram planos antigos para reduzir a dependência da rota, investindo na expansão de oleodutos, novos terminais portuários e corredores terrestres.
Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Iraque trabalham em projetos para ampliar alternativas de exportação e diminuir os impactos de futuras interrupções no estreito.
Caminhões substituem navios
Enquanto novos oleodutos não ficam prontos, o transporte terrestre se tornou uma solução emergencial.
Cada caminhão transporta aproximadamente 20 toneladas de óleo combustível, o equivalente a cerca de 135 barris. Para alcançar o volume normalmente embarcado por um único navio petroleiro, são necessários milhares de viagens rodoviárias.
Dados do governo iraquiano indicam que aproximadamente 1 milhão de toneladas de óleo combustível foram enviadas por caminhão para a Síria e a Jordânia apenas em junho, praticamente o dobro do registrado no mês anterior.
Oleodutos voltam ao centro dos planos
A crise também recolocou em discussão projetos antigos de infraestrutura energética.
Entre eles está a possível reativação do oleoduto Kirkuk-Baniyas, que permanece fechado há mais de duas décadas. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, representantes dos governos do Iraque, da Síria e dos Estados Unidos discutem formas de recuperar a estrutura, além de atrair empresas americanas para participar do projeto.
Especialistas avaliam que, mesmo com uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, o Iraque deverá manter parte das novas rotas de exportação para reduzir riscos e ampliar sua capacidade logística.






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