Orçamento secreto: STF adia o término de julgamento a pedido de Lewandowski e Gilmar Mendes

A dois votos para o fim, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou o término do julgamento sobre a legalidade das emendas de relator do Congresso Nacional. A próxima sessão ocorrerá na segunda-feira, último dia de funcionamento da Corte antes do recesso forense. A suspensão ocorreu a pedido dos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, que…

A dois votos para o fim, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou o término do julgamento sobre a legalidade das emendas de relator do Congresso Nacional. A próxima sessão ocorrerá na segunda-feira, último dia de funcionamento da Corte antes do recesso forense. A suspensão ocorreu a pedido dos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, que mencionaram a “complexidade do tema” e o “alto interesse politico” da matéria. O placar do julgamento está em 5 votos a 4 para barrar as emendas RP-9.

Segundo O Globo, antes de o julgamento ser suspenso, quatro ministros haviam seguido o voto da ministra Rosa Weber, que é a relatora das quatro ações que questionam a legalidade das emendas de relator. Ela foi seguida por Cármen Lúcia, Luiz Fux, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.

Um posicionamento diverso foi inaugurado pelo ministro André Mendonça, que mantém a existência das RP-9, desde que cumpram medidas de transparência e controle, como ocorre com outros tipos de emendas, como as emendas de bancada. Ele foi acompanhado de Kássio Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

— O caminho mais adequado é se apontar parâmetros e critérios em consonância com o texto constitucional. Em minha compreensão, considero existir omissão parcial dos poderes Executivo e Legislativo quanto aos princípios da transparência e da publicidade. Entendo ser dever desses poderes promover modificações seus procedimentos coma finalidade de garantir às emendas do relator similar níveis de transparência encontradas nas emendas impositivas — afirmou Mendonça.

Seguindo a mesma linha de seu antecessor, Kássio Nunes Marques também apresentou, no mérito da questão, um voto em que considerou as emendas de relator válidas — desde que cumpridos determinados critérios de transparência e controle.

Em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes também considerou que as emendas RP-9 podem continuar existindo, desde que cumpram os mesmos critérios de controle e transparência aplicados às emendas individuais, conhecidas pela sigla RP-6. Além disso, o ministro entende que é preciso haver um critério de distribuição para as emendas de relator.

Para ele, o procedimento da RP-9 deve ser idêntico ao procedimento previsto para RP-6 “desde o início até o final, identificando qual o parlamentar, o valor, a destinação”.

— A transparência, publicidade total de todos os procedimentos relacionados a todas as emendas é essencial, mas mais do que isso, que foi tratado no voto da presidente: o orçamento público deve ser utilizado de forma eficiente, deve haver prioridades e nós temos critérios prioritários do orçamento — disse Moraes.

Em um voto também divergente, o ministro Dias Toffoli manteve a existência das emendas RP-9, desde que cumpridos uma série de critérios, além da transparência. Para Toffoli, é preciso que também haja respeito a regras de isonomia, proporcionalidade e imparcialidade.

Os ministros analisam quatro ações que foram propostas em 2021 por partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL): Cidadania, Rede, PV e PSOL.

A modalidade de emenda parlamentar chamada de “orçamento secreto” foi criada em 2019 e passou a valer a partir de 2020. Neste formato, todas as indicações aparecem em nome do relator do Orçamento, embora tenham sido destinadas por deputados e senadores aliados. Diferentemente das outras formas de repasses, como as emendas individuais, elas não têm distribuição igualitária entre parlamentares.

Também nesta quinta-feira, o Congresso começou a discutir um projeto de resolução que criava novas regras para a distribuição do orçamento secreto. Parlamentares da oposição e da situação não chegaram a um acordo e adiaram a votação, para esperar o desfecho do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida deve voltar a ser analisada em sessão convocada para a próxima terça-feira, dia 20.

Uma resposta para “Orçamento secreto: STF adia o término de julgamento a pedido de Lewandowski e Gilmar Mendes”

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading