Em evento na manhã deste sábado em Diadema, na Grande São Paulo, convocado por partidos de esquerda que apoiam a pré-candidatura de Luiz Ignácio Lula da Silva (PT) à presidência da República, o ex-presidente bateu duro no orçamento secreto:
— O orçamento secreto é a maior bandidagem já feita em 200 anos. Vamos ter que discutir (isso) com o Congresso. Quem administra o orçamento é o governo. O Congresso legisla e o Judiciário julga. Uma das nossas tarefas, minha e do Alckmin, é a de colocar ordem na casa — afirmou.
Lula também criticou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria e amplia uma série de benefícios sociais a três meses das eleições. O petista lembrou que no início da pandemia os partidos de oposição defenderam o valor de R$ 600 para o auxílio emergencial, enquanto o governo Bolsonaro defendia R$ 200. Destacou que a ajuda e os benefícios previstos na PEC para taxistas e motoristas de caminhão só valerão “até dezembro” e chamou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de “fascista”, que “acha que o povo vai aceitar ser tratado como gado” .
— Ele quer dar R$ 600 ao povo até dezembro. Não recuse o dinheiro. Mas na hora do voto é preciso votar em quem vai cuidar desse país — afirmou o ex-presidente, que ainda arriscou “dar um conselho” aos eleitores: — Se esse dinheiro cair na conta de vocês, peguem e comprem o que (puderem para) comer. E na hora de votar deem uma banana pra ele (Bolsonaro).
Diadema, no ABC paulista, foi primeira cidade administrada pelo PT, a partir de 1983. O evento apresentou a chapa do pré-candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, com o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato ao Senado. França desistiu da candidatura para ajudar a consolidar a aliança nacional entre PT e PSB.
Além de Lula, também marcaram presença no “ato pela democracia” o seu vice e ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que saudou França como candidato ao Senado, e o candidato a deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), além de representantes de PCdoB, Rede, PV e Solidariedade.
Lula também frisou que as cores do Brasil não são apenas dos bolsonaristas. No final do ato, ele, França, Alckmin e Haddad exibiram uma bandeira do país e o petista aproveitou para fustigar mais Bolsonaro.
— Precisamos resgatar essa bandeira. Ela é de quem trabalha. Os caras dele (Bolsonaro) usam a bandeira e vão para Miami depois gastar dinheiro — afirmou.
O ex-presidente torceu o nariz para as críticas de Bolsonaro às urnas eletrônicas. Ele lembrou que presidente já foi eleito deputado diversas vezes após o sistema ser implantado.
— Não adianta dizer que não acredita na urna eletrônica. Ele já foi eleito pela urna eletrônica diversas vezes desde 1998. Sabe no que você não confia ‘Bolsa’ ? É no povo brasileiro, que vai expulsar você — provocou.
Sem esconder sua irritação, Lula também voltou sua mira para um antigo adversário, o ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil), que participou nesta manhã de um evento de apoio à pré-candidatura presidencial do deputado federal Luciano Bivar (União Brasil). O petista atribuiu os problemas sociais do país e o desemprego à Operação Lava-Jato, responsável por sua condenação e prisão. E afirmou que “o PT ajudou a diminuir a corrupção (no Brasil)”, mas sem apresentar fatos concretos que corroborassem sua afirmação:
— Sabe quanto a Lava-jato deu de prejuízo a esse país? Quatro milhões de empregos. Vamos acabar com a corrupção? Vamos. E ninguém fez mais que o PT (pra isso). Por isso que eu tô aqui livre e o Moro tá comendo o pão que o diabo amassou.
Candidato a vicena chapa de Lula, Alckmin engrossou o coro da militância petista de “fora Bolsonaro”:
— O que está em risco hoje é o estado democrático de direito. Vamos botar pra correr esse “fascistóide”.
Durante o evento, Alckmin confirmou que Márcio França será o candidato ao Senado na chapa de Haddad, com apoio de Lula. França desistiu de sua candidatura ao governo paulista para apoiar o pré-candidato do PT ao cargo, Fernando Haddad. O acordo resolve a divergência entre PT e PSB no principal estado do país, mas os dois partidos, aliados no plano nacional na chapa Lula-Alckmin, ainda têm arestas a acertar em estados, entre eles Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
França argumentou que manteve sua palavra de que quem tivesse melhor desempenho nas pesquisas poderia ser o candidato representado pelas siglas. O socialista aparecia nas consultas mais recentes em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Haddad e à frente do atual governador e pré-candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB), e do ex-ministro da Infraestrutura e pré-candidato bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O mais recente levantamento do Datafolha mostra que Haddad chega a 34% na liderança no cenário sem França. Com o pré-candidato do PSB, o petista somava 28%. Nesse cenário, França pontuava como o segundo, em empate técnico com Tarcísio, com 16%.





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