Operação em SP desmonta rede milionária de lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Ação da Polícia Civil de São Paulo cumpriu 54 medidas judiciais e bloqueou centenas de bens usados para movimentar recursos ilícitos da facção

A Polícia Civil de São Paulo desencadeou, nesta quinta-feira (4), a Operação Falso Mercúrio, que atingiu uma das maiores engrenagens financeiras de lavagem de dinheiro a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva, conduzida pela 3ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do Deic, é resultado de meses de apuração e revelou uma estrutura complexa destinada a movimentar capitais ilícitos provenientes de tráfico de drogas, estelionato e jogos de azar.

Cerca de 100 policiais civis participaram simultaneamente do cumprimento de mandados em diferentes municípios. A operação mirou prisões, buscas e bloqueios financeiros e patrimoniais considerados cruciais para desarticular o circuito clandestino que abastecia a maior facção criminosa do país.

Esquema dividido em núcleos e atuação estruturada

Segundo os investigadores, o grupo era organizado em três núcleos principais: o operacional, responsável por manter a engrenagem ativa; os coletores, encarregados de captar valores; e os beneficiários finais, que recebiam os recursos já lavados. Cada núcleo exercia funções específicas dentro do sistema de ocultação e dissimulação do dinheiro.

A apuração indica que essa rede atuava como um “serviço financeiro” para o PCC, permitindo que a facção movimentasse grandes quantidades de dinheiro sem levantar suspeitas. O nível de profissionalização chamou a atenção dos investigadores.

Técnicas sofisticadas de lavagem de dinheiro

O esquema utilizava empresas de fachada, movimentações bancárias pulverizadas e operações patrimoniais estratégicas para mascarar a origem criminosa dos valores. Segundo a Polícia Civil, os investigados criaram um circuito financeiro paralelo capaz de driblar controles automatizados de órgãos de fiscalização.

Esse sistema dificultava o rastreamento dos recursos e aumentava a capacidade da facção de reinserir dinheiro ilícito na economia formal, com aparência de legalidade.

Balanço da Operação Falso Mercúrio

A operação representou um dos maiores bloqueios patrimoniais já executados pela unidade responsável pela investigação. As medidas cumpridas incluem:

Medidas cautelares
— Seis mandados de prisão
— 48 mandados de busca e apreensão

Sequestro patrimonial
— 49 imóveis
— Três embarcações

Bloqueio financeiro
— 57 contas bancárias
— 20 pessoas físicas e 37 pessoas jurídicas atingidas

Restrição sobre veículos
— 257 veículos bloqueados
— 44 pessoas físicas e 213 jurídicas afetadas

Embora os valores totais não tenham sido divulgados, o volume de bens bloqueados indica um patrimônio milionário vinculado ao esquema.

Relação direta com o PCC

A Polícia Civil afirma ter encontrado indícios sólidos de que a estrutura financeira desmantelada servia diretamente ao PCC. A facção teria “terceirizado” a lavagem de dinheiro, reduzindo sua exposição e ampliando a capacidade de movimentação financeira.

A rede beneficiava operadores intermediários e também integrantes de alto escalão da organização criminosa, que dependiam do sistema para sustentar atividades ilícitas em diferentes regiões do país.

Com o avanço das investigações, a expectativa é identificar novos fluxos de recursos e outros colaboradores que atuavam na engrenagem financeira da facção.

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