Uma operação da Polícia Militar realizada na manhã desta terça-feira (2) em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, terminou em tragédia e medo para quem passava pelo local. Um homem morreu dentro de um ônibus da linha 121 (Magé-Niterói) após ser atingido por disparos, enquanto uma mulher que estava em um carro de aplicativo foi baleada na perna ao trafegar pela BR-101 (Niterói-Manilha).
O confronto ocorreu nas imediações do Jardim Catarina, área conhecida pelos altos índices de roubos de veículos e cargas. A PM informou que criminosos dispararam contra a rodovia como forma de desviar a atenção dos agentes que atuavam na comunidade. O comandante do batalhão de São Gonçalo, Lourival do Nascimento Júnior, explicou que a ação tinha como objetivo combater os assaltos na região.
A vítima fatal, que não teve o nome divulgado, foi atingida ainda dentro do coletivo e não resistiu aos ferimentos. Imagens das redes sociais mostram a janela do vidro do coletivo estilhaçado, onde a vítima estava sentada ao lado esquerdo. Já a passageira do carro de aplicativo, socorrida rapidamente para um hospital nas proximidades, não corre risco de vida.
A BR-101, uma das principais vias de ligação entre Niterói e a Região dos Lagos. No momento dos disparos, muitos motoristas pararam os carros e tentaram se proteger na via.
O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) informou que vai enviar ao comando da Segurança Pública um ofício solicitando mudanças nos procedimentos relativos a operações policiais em comunidades.
“O Sintronac enviou, em vão, mais de cem ofícios ao longo dos anos cobrando providências. Chegamos ao ponto de rodoviários abandonarem a profissão para preservar suas vidas e sua saúde mental. Dirigir ônibus tornou-se extremamente perigoso. Lamentamos a morte do passageiro e esperamos que nossa luta pela paz não seja vã”, informou Rubens dos Santos, presidente do sindicato.
O caso foi registrado inicialmente na 72ª DP (São Gonçalo) e depois na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSGI), que deve investigar as circunstâncias do tiroteio.
Ainda não há informações sobre a data e local de sepultamento do homem baleado.
Relembre a tragédia na Avenida Brasil
Em outubro do ano passado, três inocentes morreram, e outros três ficaram feridos durante um intenso tiroteio entre policiais militares e traficantes na Avenida Brasil, altura do Complexo de Israel, Zona Norte.
Uma das vítimas foi Renato Oliveira, de 48 anos, que estava no ônibus da linha 493 (Central x Ponto Chic), da empresa Tinguá, quando foi atingido na cabeça. Ele estava dormindo e seguia a caminho do trabalho.
“Renato estava indo pro trabalho e ia fazer o café da manhã. Ele estava com refrigerante e mortadela na bolsa. Aí, falou assim: ‘Adonias, eu vou dar um cochilo aqui’. Eu respondi com ‘vai lá, quando chegar próximo, eu te aviso’. Agora, meu amigo não acorda. É muita tristeza, a gente fica sem chão”, disse um amigo da vítima, na época, ao jornal O Globo.
As outras vítimas foram: Paulo Roberto de Souza, de 60 anos, morto com um tiro na cabeça. Geneilson Eustáquio Ribeiro, de 49 anos, também ferido na cabeça.
Na ocasião, os militares precisaram recuar a tropa devido a forte resistência dos bandidos.






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