A ONU voltou a manifestar preocupação com a situação dos povos indígenas no Brasil, diante do aumento da violência e de mortes. Em entrevista, Jan Jarab, representante do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos na América Latina, cobrou do governo de Luiz Inácio Lula da Silva uma aceleração no processo de demarcação de terras indígenas, em meio à crescente violência em estados como Maranhão, Mato Grosso do Sul e Bahia. As informações são de Jamil Chade, no UOL.
Na mesma semana em que um indígena Guarani-Kaiowá foi morto em confronto com a Polícia Militar no Mato Grosso do Sul, a ONU se reuniu com a Funai e outras entidades, enquanto relatores exigiam respostas do governo. A morte do jovem indígena de 18 anos foi o terceiro ataque grave contra povos indígenas na região em menos de um mês, resultando em diversos feridos.
Jarab expressou preocupação com o crescente número de ataques, que ele atribui a pressões da agroindústria e de outros setores econômicos que buscam explorar territórios indígenas, frequentemente com o apoio de forças políticas influentes. O representante da ONU alertou que muitos desses ataques ocorrem em áreas já demarcadas.
Outro ponto de preocupação da ONU é a indefinição sobre o marco temporal, que pode incentivar novos conflitos e ações violentas contra os indígenas. A entidade também pediu ao governo brasileiro que avance nas demarcações e fortaleça suas políticas de proteção aos defensores de direitos humanos.
Jarab apelou ao Supremo Tribunal Federal para que resolva a questão da constitucionalidade do marco temporal, destacando que a tese viola padrões internacionais de direitos humanos. Além disso, solicitou ao Ministério Público a realização de investigações rápidas e imparciais sobre os recentes ataques no Mato Grosso do Sul.
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