ONU afirma que mundo precisa de um quarto do dinheiro que gasta com armas para erradicar fome e pobreza extremas

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterrez, revelou que o mundo precisa de menos de um quarto do dinheiro destinado para armas, a cada ano, para erradicar a pobreza e a fome extremas. A ONU reuniu nesta semana, em Nova York, reuniu governos de todo o mundo com o alerta de que…

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterrez, revelou que o mundo precisa de menos de um quarto do dinheiro destinado para armas, a cada ano, para erradicar a pobreza e a fome extremas. A ONU reuniu nesta semana, em Nova York, reuniu governos de todo o mundo com o alerta de que os compromissos sociais que todos adotaram correm sérios riscos de não serem atingidos até 2030.

Segundo Guterres, o mundo precisa investir US$ 500 bilhões por ano até o final da década para garantir que essas metas sejam alcançadas. Se o valor é elevado e representa um desafio aos cofres públicos de todo o mundo, a própria entidade destaca que ele é apenas uma fração do que o mundo gastou em 2022 com armas: US$ 2,2 trilhões.

Os objetivos foram estabelecidos em 2015 e, neste ano, a comunidade internacional marca o “meio do caminho” até 2030. Mas das 17 metas estipuladas, apenas 10% estão no rumo de serem cumpridas. 30% delas estão estagnadas ou até em uma situação pior que há sete anos. Numa conferência com líderes nesta semana, governos se comprometeram a reverter a tendência.

Uma das metas mais ambiciosas estabelecidas pelos próprios governos — e a que mais corre risco — é a de erradicar a pobreza extrema até 2030. Ou seja, que todos no planeta possam ter uma renda acima de US$ 2,15 por dia. Em 1900, a proporção do mundo nesta situação era de 63%. No ano de 1959, pela primeira vez, essa taxa foi de 50%. Em 2018, ela havia caído para 9%.

Mas zerá-la passou a ser um desafio, diante do impacto da covid-19, do desmonte de apoios governamentais e do redirecionamento de recursos para a ajuda aos países mais pobres. No atual ritmo, o mundo chegará em 2030 ainda com 575 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza.

Outra meta que corre o sério risco de não ser atingida é a de erradicar a fome. Hoje, segundo a FAO, 725 milhões de pessoas vivem em situação de fome extrema. No atual ritmo de avanço social, ainda existirão 600 milhões de pessoas nessas condições em 2030.

Segundo o Unicef, dois terços dos indicadores relacionados a crianças estão fora do caminho para atingir as metas. Até o momento, apenas 6% da população infantil, ou 150 milhões de crianças, atingiram 50% das metas. Elas vivem em apenas onze países.

Se o progresso esperado continuar, apenas um total de 60 países — que abrigam apenas 25% da população infantil — terá cumprido as metas até 2030. Para trás ficarão 1,9 bilhão de crianças em 140 países.

“Há sete anos, o mundo se comprometeu a erradicar a pobreza, a fome e a desigualdade, e a garantir que todos — especialmente as crianças — tenham acesso a serviços básicos de qualidade”, disse a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell. “Mas estamos correndo contra o tempo para transformar a promessa em realidade”, alertou. “As consequências do não cumprimento das metas serão medidas na vida das crianças e na sustentabilidade do nosso planeta”, completou.

Guterres também foi enfático: “Se não agirmos agora, a Agenda 2030 se transformará num epitáfio do mundo que deveria ter sido”.

Com informações de Jamil Chade, do Uol.

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