O corpo de Gilsinho, intérprete da Portela, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (1) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Sob um clima de forte comoção, familiares, amigos e uma legião de admiradores do mundo do samba deram o último adeus a uma das vozes mais marcantes do Carnaval carioca. O artista, que morreu na terça-feira (30) aos 55 anos, foi homenageado com cânticos e aplausos, encerrando uma jornada de dedicação e amor à música e à sua escola de coração.
Antes do sepultamento, o corpo de Gilsinho foi velado desde o início da manhã na quadra da Portela, em Madureira, seu berço no samba. O caixão, coberto com as bandeiras da Portela e do Flamengo, foi posicionado no centro da quadra, que se encheu de coroas de flores enviadas por diversas agremiações do Rio e de São Paulo, como a Tom Maior, onde também atuava.
A despedida reuniu figuras proeminentes do carnaval e da política. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, portelense declarado, esteve presente e lamentou a perda repentina. “É uma grande perda de uma forma inesperada. O carnaval do Rio de Janeiro amanheceu mais triste e, óbvio, isso dói mais aqui na Portela, escola de samba onde ele tem suas origens e vinha interpretando os sambas dos últimos anos. A voz dele só me lembra momentos especiais na minha vida”, declarou o prefeito.
O presidente da Portela, Júnior Escafura, visivelmente emocionado, destacou o legado do intérprete e prometeu uma homenagem à altura na avenida. “Ele é o maior intérprete da história da Portela. Deixa um legado muito grande e nós vamos desfilar por ele esse ano. A Portela vai entrar na avenida, e a voz da comunidade, a voz dos torcedores, vai ser a voz dele”, afirmou.

Legado no samba
Gilsinho morreu em decorrência de complicações após uma cirurgia bariátrica realizada na última semana, deixando um casal de filhos. A notícia da morte do cantor abalou profundamente a comunidade portelense e o mundo do samba. Filho de Jorge do Violão, histórico integrante da Velha Guarda da escola, e afilhado do compositor Casquinha, Gilsinho tinha o samba correndo nas veias.
A trajetória do sambista na Portela começou em 2006, com a voz potente de Gilsinho se tornando a trilha sonora de desfiles que marcaram a história da agremiação, incluindo o campeonato de 2017, que quebrou um jejum de 33 anos da escola. Seu grito de guerra, “Vai na Ginga, Portela!”, acabou entrando para a história dos desfiles na Marquês de Sapucaí.
Durante o velório, colegas e amigos ressaltaram o talento e o caráter do intérprete, classificado pelos mais próximos como carismático e inesquecível. “O tamanho dele para a Portela, que tocava no coração e na alma das pessoas, é imensurável”, disse o diretor de carnaval da Portela, Júnior Schall.
A Portela decretou luto oficial de três dias pela morte de Gilsinho e publicou homenagens ao cantor. A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) também emitiu uma nota, lamentando a partida de “um dos grandes expoentes” do Carnaval.






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