O Brasil pode ficar sem combustível em novembro

O Brasil produz todo o petróleo de que precisa, com sobra. É dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, os campos do pré-sal. Mas desde o golpe de 2016, a Petrobras vem reduzindo o número de refinarias de que dispunha e está cortando sua capacidade de refino, diminuindo aceleradamente a transformação do…

O Brasil produz todo o petróleo de que precisa, com sobra. É dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, os campos do pré-sal. Mas desde o golpe de 2016, a Petrobras vem reduzindo o número de refinarias de que dispunha e está cortando sua capacidade de refino, diminuindo aceleradamente a transformação do petróleo em combustível. Com a Petrobras dirigida por neoliberais, o Brasil tornou-se um exportador de petróleo cru, produto mais barato, e um importador de combustíveis, produto muito mais caro e dependente de cotações internacionais. Além disso, a Petrobras entregou a empresas privadas e internacionais o domínio da rentável distribuição de combustíveis e de gás.

Este parágrafo inicial explica resumidamente porque a própria Petrobras acaba de informar que vai faltar combustível no Brasil em novembro. Eis o “desabastecimento” a que Jair Bolsonaro se referiu há poucos dias.

Segunda a agência Reuters, a Petrobras confirmou que não poderá atender todos os pedidos de fornecimento de combustíveis para novembro, que teriam vindo acima de sua capacidade de produção, acendendo um alerta para distribuidoras, que apontaram para risco de desabastecimento no país.

Em comunicado na véspera, a petroleira afirmou que recebeu uma “demanda atípica” de pedidos de fornecimento de combustíveis para o próximo mês, muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção, e que apenas com muita antecedência conseguiria se programar para atendê-los.

A confirmação vem após a Associação das Distribuidoras de Combustíveis Brasilcom – que representa mais de 40 distribuidoras regionais de combustíveis – ter afirmado na semana passada que a petroleira teria avisado diversas associadas sobre “uma série de cortes unilaterais nos pedidos feitos para fornecimento de gasolina e óleo diesel” para novembro.

Para a associação, “as reduções promovidas pela Petrobras, em alguns casos chegando a mais de 50% do volume solicitado para compra, colocam o país em situação de potencial desabastecimento”.

Isso porque, segundo a Brasilcom, as empresas não estão conseguindo comprar combustíveis no mercado externo, pois os preços do mercado internacional “estão em patamares bem superiores aos praticados no Brasil”.

A Petrobras e o governo federal vêm sofrendo pressões de diversos segmentos da sociedade devido a um avanço expressivo dos preços dos combustíveis no país neste ano, que têm refletido cotações internacionais. Nesse contexto, a petroleira tem reajustado os preços em intervalos maiores nos últimos meses, evitando repassar volatilidades externas.

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