A leva de exonerações promovidas pelo governador interino, Ricardo Couto, para reduzir a influência política e sanear o descontrole na gestão da máquina governamental ainda não eliminou por completo apaniguados do grupo que controlava o Palácio Guanabara. Como mostrou a Polícia Federal, Rodrigo Bacellar exercia ascendência sobre várias pastas. Numa distorção hierárquica, alguns secretários se reportavam diretamente ao então presidente da Alerj, em gestos que ilustravam a expansão da força do político campista no governo do estado.
Um dos homens de sua confiança que ainda resistem na máquina é o secretário de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Tarciso Sales. À época em que foi nomeado para o comando da corporação, eram intensos os rumores de que sua indicação teria sido uma exigência do então poderoso Bacellar.
As especulações, contudo, seriam confirmadas meses depois pelo próprio coronel Tarciso ao ser homenageado pela deputada Tia Ju com a Medalha Tiradentes, em 20 de agosto de 2025. Na solenidade, ao discursar, o oficial revelou que o sonho de comandar o Corpo de Bombeiros começou numa reunião com Rodrigo Bacellar.
“Há pouco mais de um ano, estivemos nesta Casa a convite do presidente. E assim se iniciou o sonho que veio a se consumar em setembro”, admitiu Tarciso, em alusão ao início das tratativas com Bacellar para sua nomeação ao comando da corporação.
Confira o vídeo:
Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal, os tentáculos de Bacellar alcançavam áreas estratégicas como Fazenda, Educação e Segurança Pública — incluindo as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros.
Após assumir o posto, Tarciso passou a ser visto com frequência em reuniões com Rodrigo Bacellar. Fontes com trânsito na Alerj asseguram que, semanalmente, o coronel despachava com o então presidente da Casa, sem esconder de assessores diretos a absoluta subordinação ao político, hoje preso pela Polícia Federal sob acusação de ligação com o Comando Vermelho.






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