Novo vídeo mostra momento em que mulher é morta a tiros por agente de imigração nos EUA

Imagens geram novos protestos e críticas às ações dos agentes do ICE

Novas imagens trouxeram mais detalhes sobre a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), na sigla em inglês) durante uma abordagem em Minneapolis, no estado de Minnesota. O episódio ocorreu na quarta-feira (7) e provocou uma série de protestos em diferentes cidades americanas.

O vídeo foi obtido pelo portal Alpha News junto ao próprio ICE e apresenta um novo ângulo da abordagem que terminou com a morte da mulher. As imagens sugerem que a gravação pode ter sido feita pelo agente que efetuou os disparos, embora essa informação ainda não tenha sido oficialmente confirmada pelas autoridades.

Diálogo tenso antes dos disparos

No registro, Renee aparece dentro do carro discutindo com agentes federais. Em tom aparentemente conciliador, ela tenta acalmar o agente que grava a cena. “Está tudo bem, cara. Eu não estou brava com você”, diz. Em seguida, uma segunda mulher, identificada como sua esposa, pede que o agente mostre o rosto, parcialmente coberto, e questiona o motivo da filmagem da placa do veículo.

Será a mesma placa quando você voltar para conversar conosco mais tarde. Somos cidadãos dos Estados Unidos”, afirma a esposa, em tom irônico. A situação se intensifica quando um segundo agente do ICE se aproxima e ordena, por três vezes, que Renee saia do carro, cena que já havia aparecido em um vídeo anterior divulgado pelas autoridades, porém sob outro ângulo.

Avanço do veículo e tiros

Após as ordens, a esposa de Renee grita: “Dirige, amor. Dirige, dirige”. As imagens mostram o carro desviando dos agentes e se aproximando daquele que filmava. No mesmo momento, ouvem-se os disparos. O veículo acelera, Renee é atingida e acaba colidindo contra um poste logo adiante.

Em gravações divulgadas anteriormente, o agente que aparece filmando com um celular é o mesmo que dispara contra Renee. No instante dos tiros, o vídeo recente apresenta imagens instáveis, o que, segundo autoridades, pode indicar o movimento brusco do aparelho no momento da ação.

Defesa oficial e classificação como terrorismo

O Departamento de Segurança Interna (DHS) saiu em defesa dos agentes envolvidos. A secretária da pasta, Kristi Noem, classificou a conduta da mulher como um ato de “terrorismo doméstico”. “Esses ataques com veículos são atos de terrorismo doméstico. Estamos trabalhando com o Departamento de Justiça para processá-los dessa forma”, declarou.

Renee Nicole Good era cidadã americana, mãe de três filhos, poeta premiada e guitarrista amadora. Ela havia se mudado recentemente para Minneapolis. Após ser baleada, perdeu o controle do carro e morreu no local, segundo informações oficiais divulgadas pelas autoridades.

Protestos e críticas de autoridades locais

A morte provocou forte reação popular. Nesta quinta-feira (8), Minneapolis viveu mais um dia de protestos contra o ICE, com manifestações também registradas em ao menos outras dez cidades do país. O órgão ganhou notoriedade nos últimos anos por conduzir as políticas de deportação do governo Donald Trump, frequentemente alvo de denúncias de ações truculentas e prisões arbitrárias.

O senador estadual Omar Fateh afirmou, em uma rede social, que testemunhas relataram que agentes federais impediram um médico de prestar socorro e tentar reanimar a vítima após os disparos. Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, fez duras críticas à atuação federal. “Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade. Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados”, disse.

Escalada das operações migratórias

O caso é apontado como mais um episódio de escalada nas operações de imigração realizadas pelo governo Trump em grandes centros urbanos. Segundo autoridades, esta é ao menos a quinta morte registrada em ações desse tipo em diferentes estados desde 2024.

Minneapolis e a vizinha St. Paul permanecem em estado de alerta desde que o DHS anunciou, na terça-feira (6), o início de uma grande ofensiva migratória na região. Cerca de 2.000 agentes e oficiais devem participar da operação, que também está ligada a investigações sobre supostas fraudes envolvendo residentes de origem somali.

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