O conclave para eleger o novo líder da Igreja Católica teve início nesta quarta-feira (7), com os 133 cardeais eleitores reunidos a portas fechadas na Capela Sistina, no Vaticano. Como publicado pelo jornal O Globo, a primeira votação terminou sem consenso e gerou a tradicional fumaça preta — sinal de que ainda não foi escolhido o sucessor do papa Francisco, falecido em 21 de abril.
A abertura oficial dos trabalhos foi marcada pela celebração da “Missa Pro Eligendo Pontifice”, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Em seguida, às 11h30 (horário de Brasília), teve início o primeiro escrutínio. Por volta das 16h (21h em Roma), os fiéis que acompanhavam do lado de fora viram a fumaça preta sair da chaminé da Capela Sistina, indicando que nenhum dos cardeais obteve os dois terços dos votos necessários — neste caso, 88 votos — para ser proclamado papa.
A partir desta quinta-feira (8), o conclave seguirá o ritmo tradicional, com até quatro votações por dia — duas pela manhã e duas à tarde. No entanto, a emissão da fumaça ocorre apenas uma vez por turno, após uma ou duas votações, a depender da necessidade. Assim, os próximos sinais visuais devem surgir por volta das 5h30 ou 7h e novamente às 12h30 ou 14h, no horário de Brasília.
Como é feita a votação
Durante o processo, os cardeais utilizam cédulas com a inscrição Eligo in Summum Pontificem (“Elejo como Sumo Pontífice”), onde escrevem, de próprio punho e de forma irreconhecível, o nome do escolhido. Um a um, eles caminham até o altar, mostram a cédula aos demais e fazem um juramento em latim antes de depositá-la na urna. Para aqueles com problemas de saúde ou mobilidade, o voto é recolhido por cardeais designados como infirmarii.
Após a votação, os votos são contados e lidos em voz alta. Se nenhum nome alcançar a maioria qualificada, as cédulas são queimadas com substâncias químicas que produzem a cor preta da fumaça. Já a fumaça branca, que simboliza a eleição de um novo pontífice, é produzida com o uso de lactose e outros agentes.
Ritos e tradição
Assim que um cardeal é eleito e aceita a escolha, ele é indagado pelo decano do Colégio Cardinalício se aceita o cargo e qual será seu nome papal. Em seguida, os cardeais prestam obediência ao novo papa. Minutos depois, o cardeal protodiácono se apresenta na sacada da Basílica de São Pedro e proclama ao mundo: Habemus Papam. O novo pontífice então aparece ao público e concede a bênção apostólica urbi et orbi (“à cidade e ao mundo”).
Caso não haja consenso após três dias de votação, o conclave é interrompido por um dia de orações, como previsto nas normas canônicas. Este tempo adicional é destinado à reflexão espiritual, com o objetivo de alcançar um acordo entre os eleitores.
Representatividade no conclave
Dos 133 cardeais com direito a voto neste conclave — dois a menos que o total previsto, devido a ausências por motivos de saúde — sete são brasileiros. Cerca de 80% dos eleitores foram nomeados pelo próprio papa Francisco, o que pode influenciar a linha teológica e pastoral do futuro pontífice.
A escolha do novo papa ocorre em meio a grandes expectativas da comunidade católica e será acompanhada de perto pelos mais de 1,3 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo. Até que a fumaça branca apareça, os olhos da fé seguem voltados ao céu de Roma.





