O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, intensificou o processo de reestruturação administrativa e nomeou, nesta quarta-feira (29), novos integrantes para áreas estratégicas do governo, informa reportagem do jornal O Globo. Foram anunciados Rodrigo Tostes de Alencar para a Secretaria de Meio Ambiente, Rafael Abreu para o Planejamento e Guilherme Mercês para a Secretaria de Fazenda. Este último já iniciou as articulações em Brasília, onde participou de reuniões com representantes do governo federal.
As mudanças ocorrem em meio à tentativa de reorganizar a máquina pública e enfrentar desafios fiscais, incluindo o julgamento dos royalties do petróleo no Supremo Tribunal Federal (STF) e a adesão a programas federais de reequilíbrio das contas estaduais.
Foco fiscal e negociação de dívidas
À frente da Fazenda, Guilherme Mercês afirmou que pretende apresentar um conjunto de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, o estado busca alternativas para enfrentar o peso da dívida e ampliar a capacidade de pagamento.
“A dívida virou algo impagável, mas o Propag nos permite usar ativos, como imóveis e créditos a receber, para abater as parcelas. Vamos apresentar ao Ministério da Fazenda muitas medidas de equilíbrio fiscal no programa. Também vamos mostrar ao governador um grande pacote de redução de custos e aumento de receitas”, disse.
Mercês destacou que a estratégia não inclui aumento de impostos, mas sim o fortalecimento da fiscalização e revisão de despesas. Entre os focos, está o combate à sonegação, especialmente no setor de combustíveis.
“O crescimento de receitas não serão atreladas a aumentar impostos. Isso pode ter um efeito reverso de desestimular a economia. É preciso ter uma integralidade na fiscalização, preservando os bons contribuintes. O setor de combustíveis é um dos maiores sonegadores e será um dos focos da ações”, conta o economista, que defende a redução de cargos inciada pelo governo e de revisão dos contratos. Por isso, diz que vai montar uma equipe quase integralmente com servidores da Fazenda.
Com experiência anterior no cargo durante as gestões de Wilson Witzel e no início do governo Cláudio Castro, Mercês também acumula passagens por entidades como Firjan e CNC, além de atuação recente como consultor do Sistema Fecomércio RJ.
Mudanças redesenham perfil do governo
Pouco mais de um mês após assumir interinamente o comando do estado, Ricardo Couto já promoveu alterações em uma parcela significativa do primeiro escalão. A estratégia tem priorizado nomes com trajetória no meio jurídico, técnico e acadêmico, muitos deles oriundos da Procuradoria do Estado.
Entre as mudanças mais recentes, Bruno Debeux reassumiu a Procuradoria-Geral do Estado, enquanto Rodrigo Tostes de Alencar passou a comandar o Meio Ambiente após a saída do vereador licenciado Diego Faro, aliado político do ex-governador Cláudio Castro.
No setor de empresas públicas, o padrão se repete. O procurador Rafael Rolin foi escolhido para a presidência da Cedae, e Felipe Derbli de Carvalho Baptista assumiu o comando do Rioprevidência, órgão que esteve no centro de investigações recentes.
Áreas estratégicas e articulação política
A reestruturação também alcançou setores considerados sensíveis para a governabilidade. O delegado Roberto Lisandro Leão foi nomeado para o Gabinete de Segurança Institucional e para a Secretaria de Governo, acumulando funções ligadas à segurança de autoridades e à interlocução política com o Legislativo.
Na Casa Civil, o procurador Flávio Willeman foi efetivado como titular da pasta, consolidando a substituição de nomes ligados ao núcleo político do ex-governador. Já na chefia de gabinete, Marco Simões foi mantido após período de transição.
Na área da saúde, a escolha recaiu sobre o médico Ronaldo Damião, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com apoio de entidades médicas e da academia. Em Brasília, a representação do governo fluminense ficará sob responsabilidade do advogado Gustavo Alves Pinto Teixeira, também com passagem pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Transição e redefinição de prioridades
As mudanças indicam uma tentativa de redefinir o perfil da administração estadual, com foco em controle de gastos, revisão de contratos e maior rigor técnico nas decisões. A substituição de quadros próximos ao antigo governo por nomes de perfil jurídico e técnico sugere uma nova orientação na condução da máquina pública.
Ao mesmo tempo, o governo acompanha temas sensíveis no cenário nacional, como o julgamento dos royalties do petróleo, que pode impactar diretamente as receitas do estado, e a negociação com a União para reestruturação da dívida.






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