Em apenas três anos, o número de incêndios com morte provocados por bicicletas elétricas movidas por baterias de lítio ficou empatado com o dos causados por problemas elétricos gerais e ultrapassou o dos que começaram quando alguém estava cozinhando ou fumando, na lista de principais causas desse tipo de acidente. Os dados são da cidade de Nova York.
Os motivos para essa tendência são vários. Incluem a falta de regulação e testagem de segurança para os equipamentos, mau uso na hora do carregamento (como usar equipamentos incompatíveis ou carregar por tempo excessivo) e a falta de áreas seguras para carregar as baterias — em uma cidade populosa e com inúmeros prédios residenciais, onde ocorre a maioria dos incêndios.
No ano passado, a Comissão de Segurança para o Consumo de Produtos americana foi notificada por mais de 200 incêndios ou incidentes de superaquecimento em 39 estados americanos. A entidade enfatiza, no entanto, que o problema é particularmente grave em áreas populosas como Nova York, onde os incêndios causados pelas baterias de lítio mataram 13 pessoas, desde o início de 2023. No total, 23 pessoas foram mortas em incidentes desse tipo desde 2021. Este ano, foram 108 incêndios, um aumento em comparação aos 98 no mesmo período do ano passado.
Em Londres, os incidentes provocados por baterias de lítio são os que mais crescem entre os tipos de risco para incêndio, com 57 provocados por e-bikes e 13 por ciclomotores elétricos, só este ano, de acordo com o Corpo de Bombeiros da cidade.
A namorada de Alfonso Villa Muñoz não queria que ele comprasse um ciclomotor elétrico (scooter), mas um entregador ofereceu um bom negócio e ele aceitou a proposta. A scooter cor de cereja tinha, debaixo do assento, uma bateria de íon-lítio tamanho extra grande. Quando precisava de carga, Muñoz devia subir com o equipamento até o apartamento, no terceiro andar de um prédio no distrito do Queens, em Nova York. Um mês depois da compra, a bateria explodiu durante o carregamento, na sala de casa, e as chamas se espalharam pelo apartamento. Muñoz ainda gritou pela filha de 8 anos que estava dormindo, mas não conseguiu chegar à porta do quarto a tempo e a menina morreu por inalação de fumaça.
(Com informações do News York Times)





