Nova prorrogação: Israel estende prisão de brasileiro detido em missão humanitária para Gaza até domingo

O brasileiro Tiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek foram detidos por participar de flotilha humanitária e devem permancer sob custória de Israel até dia 10 maio.

Um tribunal israelense decidiu prorrogar até o próximo domingo (10) a detenção do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, integrantes de flotilha internacional com missão humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza. Segundo informações da Folha de S. Paulo, a decisão foi tomada nesta terça-feira (5), durante nova audiência realizada na cidade de Ashkelon, no sul de Israel.

De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, os dois permanecerão sob custódia até a manhã de domingo. “O tribunal aprovou a detenção deles até a manhã de domingo”, declarou à AFP Miriam Azem, coordenadora da entidade.

Interceptação e acusações

Ávila e Keshek foram detidos após a interceptação de uma flotilha formada por mais de 50 embarcações que partiu da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária. A abordagem ocorreu em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada do dia 30.

Segundo autoridades israelenses, os dois ativistas teriam vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, organização sancionada pelo governo dos Estados Unidos. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusa a entidade de “agir clandestinamente em nome” do grupo Hamas.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que Abu Keshek é membro destacado da organização, enquanto Ávila é descrito como alguém com ligações com o grupo e “suspeito de atividades ilegais”.

Relatos de condições de detenção

A ONG Adalah denunciou que os dois ativistas foram submetidos a condições consideradas inadequadas durante a detenção. Segundo a entidade, ambos passaram por “interrogatórios de até oito horas”, permaneceram em celas com iluminação constante e foram obrigados a circular vendados, inclusive em atendimentos médicos.

O governo israelense, por sua vez, rejeitou as acusações de maus-tratos.

Antes da decisão mais recente, o tribunal já havia autorizado a prorrogação da prisão por dois dias, após audiência realizada no domingo (3).

Reação internacional

A detenção gerou reação diplomática. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, divulgou nota conjunta com a Espanha condenando a ação israelense.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.

Os dois países também classificaram a interceptação como um “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exigiram a libertação imediata dos ativistas, com garantias de segurança.

Liberação parcial de ativistas

Além de Ávila e Keshek, outros 175 ativistas de diferentes nacionalidades foram detidos durante a operação. Eles acabaram sendo liberados na Grécia após um acordo entre os governos grego e israelense. Os dois, no entanto, foram transferidos para Israel, onde permanecem sob custódia.

Os organizadores da flotilha afirmam que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros da Faixa de Gaza e classificam a ação como uma “armadilha mortal calculada no mar”.

Histórico da flotilha

A mobilização internacional para envio de ajuda a Gaza já havia ganhado destaque em 2025, quando a primeira viagem da chamada Flotilha Global Sumud atraiu atenção global. Na ocasião, centenas de ativistas foram detidos no mar por forças israelenses e posteriormente deportados, entre eles a ativista ambiental Greta Thunberg e o próprio Thiago Ávila.

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