A produção industrial brasileira registrou variação positiva de 0,1% na passagem de fevereiro para março de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do resultado positivo, o desempenho mostra desaceleração em relação ao mês anterior, quando o setor havia avançado 0,9%.
Os números fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), levantamento que acompanha o comportamento da indústria brasileira e serve como um dos principais termômetros da atividade econômica do país.
Na comparação com março de 2025, a produção industrial apresentou crescimento de 4,3%. No acumulado de 2026, o setor registra expansão de 3,1%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, entre abril de 2025 e março deste ano, o avanço é de 0,4%.
Mesmo com os resultados positivos recentes, o nível atual da indústria brasileira ainda permanece distante dos recordes históricos. Segundo o IBGE, a produção está 3,3% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas ainda segue 13,9% abaixo do pico alcançado em maio de 2011.
Derivados de petróleo e químicos puxaram crescimento
O desempenho positivo de março foi sustentado principalmente pelos setores ligados ao refino de petróleo, biocombustíveis e produtos químicos.
Entre os 25 ramos pesquisados pelo IBGE, oito registraram crescimento na produção. O avanço também apareceu nas quatro grandes categorias econômicas analisadas pelo levantamento.
As principais influências positivas vieram do segmento de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceu 2,2%, e da indústria química, que avançou 4%.
Segundo o gerente da Pesquisa Industrial Mensal, André Macedo, o desempenho desses setores ajudou a sustentar o resultado positivo do mês.
“Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%) e produtos químicos (4,0%), com a primeira marcando o quarto mês consecutivo de crescimento e acumulando expansão de 11,5% neste período; e a segunda eliminando o recuo de 1,5% verificado em fevereiro”, destacou.
O setor de derivados de petróleo acumula crescimento contínuo nos últimos quatro meses, refletindo o aumento da atividade industrial ligada à cadeia energética e de combustíveis.
Bebidas e materiais elétricos registraram queda
Apesar do saldo positivo geral, parte da indústria brasileira apresentou retração em março.
As principais influências negativas vieram da produção de bebidas, que recuou 2,9%, e do setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que teve queda de 3,9%.
O resultado mostra que a recuperação industrial segue ocorrendo de forma desigual entre os diferentes segmentos da economia.
Especialistas apontam que fatores como custo do crédito, desaceleração do consumo e oscilações na demanda internacional ainda afetam parte da indústria de transformação.
Indústria ainda tenta recuperar perdas históricas
A Pesquisa Industrial Mensal é divulgada pelo IBGE desde a década de 1970 e acompanha o comportamento das indústrias extrativa e de transformação no Brasil.
Em março de 2023, o instituto reformulou os indicadores e passou a divulgar uma nova série estatística da produção industrial brasileira.
Mesmo após a recuperação registrada desde a pandemia de Covid-19, o setor industrial ainda enfrenta dificuldades para retornar aos níveis históricos de produção observados no início da década passada.
Os dados mais recentes mostram uma trajetória de recuperação moderada, mas ainda marcada por oscilações mensais e diferenças relevantes entre os setores produtivos.






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