A farmacêutica Gilead Sciences anunciou que seu novo medicamento injetável, lenacapavir, preveniu 100% das infecções por HIV na fase 3 dos testes clínicos. O lenacapavir, já aprovado para tratar casos de HIV multirresistentes, agora está sendo avaliado como profilaxia pré-exposição (PrEP).
Ao contrário da PrEP tradicional, feita com comprimidos diários, o lenacapavir é administrado apenas duas vezes ao ano, facilitando a adesão e aumentando sua eficácia. A pesquisa foi publicada na revista The New England Journal of Medicine e apresentada na 25ª Conferência Internacional de Aids em Munique, na Alemanha.
A PrEP com lenacapavir representa um avanço significativo, especialmente comparado ao cabotegravir, que precisa ser aplicado a cada dois meses.
Apesar de ser uma injeção preventiva, o lenacapavir não é uma vacina, pois não induz o sistema imunológico a produzir defesas contra o HIV. Ele é um antiviral que bloqueia a replicação do vírus, necessitando de administração contínua para manter a proteção.
O pesquisador Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, afirmou que o lenacapavir é “basicamente como se tivéssemos uma vacina” devido à sua alta eficácia e necessidade de poucas doses. A UNAIDS saudou os resultados, destacando que a inovação pode acelerar os esforços para acabar com a AIDS até 2030.
A UNAIDS também pediu a liberação da patente para permitir a produção de versões genéricas, tornando o tratamento acessível em países de média e baixa renda. Atualmente, o custo do tratamento é superior a US$ 40 mil por pessoa por ano, mas poderia ser reduzido para cerca de US$ 40 com a produção genérica.
A adesão à PrEP tem sido um desafio devido à necessidade de administração diária. Com a introdução de medicamentos de longa duração, como o lenacapavir, espera-se que mais pessoas em risco de HIV possam ser protegidas de forma eficaz. Isso é crucial, dado que em 2023 houve 1,3 milhão de novas infecções por HIV, muito acima da meta global de menos de 370 mil novas infecções anuais até 2025.
Com informações de O Globo





