A eleição deste domingo (4) redesenhou o mapa político da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro sem, no entanto, alterar uma das principais características do plenário: partidos identificados com a direita continuarão ocupando metade das 70 cadeiras. A mudança mais significativa ocorre no outro lado do espectro político. Pelo recorte que reúne PT, PSOL, PCdoB, Rede e PDT no campo da esquerda, esse grupo cresce de 14 para 17 deputados. O centro, por consequência, recua de 21 para 18.
A classificação ideológica não é oficial. Para efeito desta comparação, foram considerados à direita PL, União Brasil, PP, Republicanos, Novo e Democracia Cristã; à esquerda, PT, PSOL, Rede, PDT e PCdoB. As demais legendas foram agrupadas no centro. O que o resultado da urna aponta é que, dependendo do tema em votação na Alerj, os conservadores continuarão ditando a pauta no plenário do legislativo fluminense.
Direita troca peças, mas continua com 35 cadeiras
Na atual composição da Alerj, PL, União Brasil, PP e Republicanos somam 35 deputados. São 23 do PL, cinco do União, quatro do PP e três do Republicanos. A nova legislatura também terá 35 parlamentares nesse campo, mas com uma distribuição interna diferente.
O PL, embora permaneça disparado como a maior bancada, cai de 23 para 21 cadeiras. União Brasil passa de cinco para quatro. Em sentido contrário, o PP cresce de quatro para cinco. O Republicanos mantém três. Novo e Democracia Cristã, que atualmente não têm representantes, conquistaram uma cadeira cada. Assim, as perdas de PL e União são compensadas pelos avanços de PP, Novo e DC.
O resultado deixa a direita exatamente no limite de 50% da Assembleia. Isso significa que, apesar da força numérica, esse conjunto de partidos não alcança sozinho a maioria absoluta de 36 deputados. O PL, com 21 parlamentares, terá 30% de toda a Casa e continuará sendo peça central nas articulações para a Mesa Diretora, comissões e votações em plenário.
PT puxa avanço da esquerda
É na esquerda que aparece a maior mudança proporcional. Atualmente, PT e PSOL têm cinco deputados cada, PCdoB tem dois e PDT outros dois, totalizando 14 cadeiras. Na nova legislatura, esse campo chegará a 17 representantes.
O crescimento é explicado principalmente pelo PT. A legenda salta de cinco para nove deputados, ganho de quatro cadeiras. O PSOL mantém cinco representantes e o PDT permanece com dois. O PCdoB recua de dois para um. A Rede, embora integre a federação com o PSOL, não elegeu representante próprio.
Somadas, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e a Federação PSOL-Rede conquistaram 15 cadeiras. Com as duas do PDT, o campo chega às 17 vagas, 24,3% da Assembleia. A esquerda ganha, portanto, três cadeiras em relação ao desenho atual.
Centro perde espaço e passa de 21 para 18 deputados
Se direita permanece com 35 cadeiras e esquerda avança para 17, o espaço ocupado pelas demais forças cai de 21 para 18 parlamentares. Nesse grupo, o PSD preserva uma bancada robusta de nove deputados e continuará como a segunda maior força da Casa, empatado numericamente com o PT.
MDB e PSB mantêm duas cadeiras cada, enquanto o Agir conserva uma. A Federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD, conquistou três vagas, e a Federação PSDB-Cidadania ficou com uma. Avante e Podemos, hoje representados no plenário, ficam sem deputados na nova composição.
O saldo revela uma Assembleia mais concentrada nos grandes blocos. PL, PT e PSD, sozinhos, terão 39 dos 70 deputados, ou 55,7% do plenário. Apesar da redução de duas cadeiras, o PL continuará com uma bancada mais de duas vezes maior que as do PT e do PSD consideradas separadamente.
Equilíbrio muda, mas negociações continuarão decisivas
Na comparação entre as duas legislaturas, a direita permanece com 35 cadeiras, a esquerda passa de 14 para 17 e o centro recua de 21 para 18. O resultado não produz uma maioria automática para nenhum campo, sobretudo porque classificações ideológicas não significam necessariamente alinhamento nas votações. Partidos de centro e até legendas reunidas em um mesmo bloco costumam se dividir conforme o tema em discussão e a relação com o governo estadual.







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