No ápice da crise na aliança entre PT e PSB no Rio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de ato na Cinelândia nesta quinta-feira durante o qual as divergências entre as siglas ficaram ainda mais expostas. Sem citar nominalmente Alessandro Molon, seu adversário na disputa pela vaga ao Senado, Ceciliano chamou de “covardes” aqueles que deixaram o PT em momentos difíceis. Molon saiu do PT em 2015, em meio às denúncias da operação Lava Jato, à qual passou a defender com entusiasmo.
— Quero ser um senador como foi Lindbergh, que não tirou o pé da bola dividida e estava lá em defesa da presidente Dilma Rousseff. Eu nunca saí do Partido dos Trabalhadores, mas os covardes saíram Muitos covardes abandonaram o partido no momento mais difícil.
Ceciliano foi anunciado ao som de um jingle de campanha com o verso “Já está fechado, é Lula lá André aqui de novo”. Foi aplaudido com entusiasmo pela militância petista.
Ao ser apresentado, Molon dividiu a plateia, que reagiu com vaias entre apoiadores de Ceciliano e gritos de apoio e aplausos entre os simpatizantes do pessebista. Ele discursou ao lado do vice-presidente do PSB no Rio, Carlos Minc.
Enquanto falava, a militância petista cantava “Molon, eu não me engano, para Senador é Ceciliano”.
— Vamos à vitória na luta pelo Senado. Nós temos apoios de quatro partidos (PSB, PSOL, Rede e Cidadania) e vamos vencer essas eleições — prosseguiu Molon.
Após falar da importância de eleger Lula e da unidade da esquerda para as eleições, Molon tratou da candidatura ao Senado no Rio. Com críticas ao senador Romário, ele disse que o estado não pode continuar mal representado.
— Precisamos enfrentar e derrotar Cláudio Castro sem conciliação e sem ambiguidades. E precisamos tirar do Senado um senador que nada fez pelo Rio de Janeiro. Quando era jogador de futebol, jogava parado mas fazia gol. Agora, jogar parado no Senado é ser omisso e preguiçoso. O Rio não merece continuar mal representando por Romário — disse Molon.
Ceciliano teve espaço privilegiado no palanque, com vídeo e jingle sendo apresentados nos telões. Ele discursou com a presença de Lula no palco e atacou “covardes” que deixaram o partido em momentos de crise. Foi uma indireta a Molon, que deixou a sigla em 2015.
— O senhor não vai ter só momentos bons na Presidência. O senhor vai poder contar com um senador que não vai tirar o pé da bola dividida, que não vai abandonar como muitos fizeram, covardes, que abandonaram o Partido dos Trabalhadores no momento mais difícil — disse.
— Eu nunca saí do PT, eu fiquei, defendi o seu legado, defendi a presidente Dilma. Mas os covardes saíram — continuou.
A equipe de Molon, por sua vez, enviou militantes com placas com seu nome junto de Freixo e Lula. Também realizou uma mega projeção na fachada de um prédio bem à vista do palco.
O deputado do PSB discursou antes da chegada de Lula e não ficou no palco após a chegada do ex-presidente.
Também com indiretas a Ceciliano, defendeu enfrentamento a Jair Bolsonaro e ao governador do RJ, Cláudio Castro (PL), “sem ambiguidades”. A fala faz referência ao bom relacionamento de Ceciliano com o governador e bolsonaristas no estado.
— Temos três senadores bolsonaristas representando nosso estado. Não trouxeram nada para o Rio. Precisamos mudar essa história. No Rio, precisamos enfrentar Bolsonaro com determinação, sem conciliação, derrotar Cláudio Castro sem conciliação, sem ambiguidades.
O deputado Marcelo Freixo (PSB), pré-candidato ao governo, afirmou em discurso que “qualquer diferença que tenha entre a gente é muito menor do que a responsabilidade que temos pela frente”.
— Nós precisamos de união. Às vezes dentro da esquerda tem um esbarrão em um e outro, um arranhão. Quero dizer que qualquer diferença que tenha entre a gente é muito menor do que a responsabilidade que temos pela frente. Temos a responsabilidade de derrotar o Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Em seu discurso, Lula apenas apresentou Freixo como seu único candidato a governador, mas nada falou sobre o Senado.
O ex-presidente também afirmou que, caso eleito, irá reverter os sigilos de cem anos impostos por Bolsonaro “no primeiro decreto que eu fizer”, e que o país precisa “gostar de livros e não de armas, de amor e não de ódio”.






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