Foi sob os aplausos de uma multidão de 3,7 milhões de pessoas que o papa Francisco celebrou, no dia 28 de julho de 2013, a Missa de Envio da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento marcou o ponto alto da primeira visita do pontífice ao Brasil e uma das maiores concentrações católicas já vistas no país.
Como relata o g1, que acompanhou a visita do líder da Igreja Católica desde sua chegada, em 22 de julho, até o retorno ao Vaticano, uma semana depois. Ao longo desses dias, Francisco percorreu diversos pontos do Rio e até viajou ao interior de São Paulo, deixando mensagens de fé, esperança e, sobretudo, acolhimento.
Recepção calorosa (e tumultuada)
Logo no desembarque, o papa foi recebido pela então presidente Dilma Rousseff no Aeroporto do Galeão, em uma cerimônia oficial. No caminho até o centro da cidade, Francisco foi surpreendido pela quebra do isolamento em algumas vias, como a Avenida Presidente Vargas. O comboio foi cercado por centenas de fiéis que se aproximaram do papamóvel, gerando tumulto, mas também expressando o entusiasmo popular com sua presença. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas participaram desse cortejo improvisado.
Em seu primeiro discurso, o pontífice já demonstrava familiaridade com o calor humano brasileiro: “Me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração”, declarou.
Agenda intensa e gestos simbólicos
Após um dia de descanso, Francisco seguiu para o Santuário Nacional de Aparecida (SP) em 24 de julho. Apesar da chuva, cerca de 200 mil pessoas o aguardavam. Na homilia, exaltou a importância da fé, da alegria e da esperança cristã. Em tom bem-humorado, pediu desculpas por não falar “brasileiro”, arrancando risos da multidão.
No dia seguinte, visitou o Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, referência no atendimento a dependentes químicos. Em sua fala, evocou o exemplo de São Francisco de Assis:
“O jovem Francisco abandona riquezas e comodidades para fazer-se pobre no meio dos pobres. (…) Tudo se tornou concreto quando ele abraçou um leproso.”
À noite, a Cerimônia de Acolhida da JMJ, inicialmente planejada para Guaratiba, foi transferida para Copacabana devido às fortes chuvas. Ali, o Papa convocou os jovens a viverem uma fé ativa e comprometida.
Copacabana vira santuário
A partir do dia 25, a orla de Copacabana se transformou em um verdadeiro acampamento de fé. Jovens dormiam na areia, em barracas ou sobre sacos de dormir, ocupando cada canto do bairro. O bairro tornou-se o coração da Jornada Mundial da Juventude, e o palco dos principais eventos foi montado às pressas após a estrutura em Guaratiba ser inutilizada por causa do lamaçal.
Na sexta-feira, dia 26, a tradicional Via Sacra emocionou fiéis com encenações que misturaram espiritualidade e temas sociais. No sábado, o papa participou de uma vigília que reuniu milhões de pessoas sob o lema “Ide, sem medo, para servir”.
Apoteose na areia
O domingo, 28 de julho, ficou marcado na história do catolicismo no Brasil. Francisco percorreu 3 km da Avenida Atlântica no papamóvel antes de celebrar a Missa de Envio. Fiéis o acompanhavam a pé, tentavam entregar presentes e buscar a bênção. Alguns subiam em árvores, enquanto moradores o observavam das janelas.
Ao final da missa, o papa anunciou a próxima sede da JMJ: Cracóvia, na Polônia, em 2016. Em sua despedida, publicou em sua conta oficial no Twitter:
“Inesquecível Festa de Acolhida em Copacabana! Que Deus lhes abençoe a todos!”
A celebração também foi transmitida em bares, calçadas e casas ao longo da orla, criando um espetáculo raro em que fé e cidade se fundiram em uma só voz.
Um legado de simplicidade e proximidade
A visita de Francisco ao Brasil, mais do que uma agenda papal, foi marcada por sua capacidade de se conectar com as pessoas. A escolha por falas simples, gestos simbólicos e atenção aos mais vulneráveis consolidou a imagem de um Papa próximo, humano e profundamente comprometido com os ensinamentos de Cristo.
“Foi um momento histórico, que mudou a vida de muitos que estiveram ali. Francisco mostrou que a Igreja pode (e deve) sair às ruas”, comentou um dos peregrinos presentes à época.
A passagem de Francisco pelo Brasil deixou não só memórias, mas também um convite duradouro à transformação social e espiritual.





