O Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) de Niterói contestou o levantamento divulgado por operadoras de internet que aponta que cerca de 45% do território do município estaria com restrições à atuação das principais empresas de banda larga devido à influência de grupos criminosos. O órgão afirmou que a estimativa apresentada não detalha a metodologia utilizada e defendeu os avanços da cidade no combate ao crime organizado.
Segundo o GGIM, Niterói se diferencia de outros municípios da Região Metropolitana do Rio por não registrar áreas sob domínio de milícias e por manter ações integradas entre as forças municipais, estaduais e federais de segurança pública. O gabinete também destacou que indicadores do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram redução significativa em diversos índices criminais nos últimos anos.
Levantamento é questionado pela prefeitura
O estudo apresentado pelas operadoras foi elaborado a partir de registros internos de locais onde equipes técnicas deixaram de realizar instalações e manutenções por causa de ameaças, impedimentos ou riscos à segurança. O material vem sendo apresentado há meses em reuniões com representantes da administração municipal e das forças de segurança para subsidiar estratégias de enfrentamento ao problema.
Em nota oficial, o GGIM afirmou que o percentual de 45% do território afetado não apresenta critérios técnicos claros para sua elaboração. O órgão informou que continuará investindo em planejamento, inteligência e integração entre as instituições para fortalecer a segurança pública no município.
Áreas apontadas pelas operadoras
As empresas afirmam que as restrições atingem bairros da Região Oceânica, como Engenho do Mato, Maravista, Rio do Ouro, Várzea das Moças e parte de Itaipu. Na Zona Norte, o Fonseca aparece entre as regiões mais impactadas, enquanto outros pontos também são citados em Pendotiba, Charitas, Jurujuba e no Centro da cidade.
O mapa elaborado pelas operadoras classifica os locais entre áreas de “entrada proibida” e “modo de contingência”, onde técnicos deixam de atuar por questões de segurança. Segundo o setor, essas restrições têm ampliado a dificuldade de expansão e manutenção dos serviços de internet fixa.
Dados coincidem com estudo da UFF
Embora o GGIM conteste a dimensão da área afetada, grande parte dos locais apontados pelas operadoras coincide com o Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, elaborado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Instituto Fogo Cruzado.
A atualização mais recente do levantamento, divulgada no fim de 2025 com base em dados de 2024, identificou disputas entre facções criminosas em áreas do Complexo do Fonseca, cenário que, segundo especialistas, se intensificou ao longo dos últimos meses.
Empresas relatam riscos às equipes
De acordo com as operadoras, o mapeamento foi construído exclusivamente a partir de ocorrências registradas por suas equipes de campo, que enfrentaram ameaças ou foram impedidas de prestar serviços em determinadas localidades.
As empresas defendem que o diagnóstico representa a realidade operacional enfrentada diariamente pelos técnicos e afirmam que o compartilhamento dessas informações busca contribuir para ações conjuntas capazes de restabelecer a prestação dos serviços e garantir a segurança dos profissionais que atuam nas áreas mais sensíveis de Niterói.






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