Netanyahu indica Trump ao Nobel da Paz em jantar na Casa Branca e agradece bombardeios dos EUA ao Irã

Premiê de Israel entregou carta de recomendação em meio a negociações por cessar-fogo em Gaza

Durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, nesta segunda-feira (7), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou ter indicado o norte-americano ao Prêmio Nobel da Paz. Netanyahu entrega pessoalmente a carta de recomendação a Trump, em um jantar oficial em Washington.

Segundo o premiê israelense, a indicação foi motivada pelos “esforços” do presidente americano para alcançar a paz no Oriente Médio, especialmente por seu papel nas negociações de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza. A nomeação, de acordo com as regras do comitê norueguês do Nobel, pode ser feita por chefes de Estado e membros de parlamentos e tribunais internacionais.

O comitê do Nobel ainda não confirmou o recebimento da carta.

Além da recomendação ao Nobel, o encontro teve como foco principal os avanços na proposta de trégua entre Israel e Hamas, que está sendo mediada por Washington. Na semana passada, Trump afirmou que Israel havia aceitado os termos propostos pelos EUA, que incluem a libertação de reféns, troca de prisioneiros, retirada parcial de tropas israelenses de Gaza e discussões sobre o fim definitivo da guerra. O Hamas, posteriormente, também se disse de acordo com os termos.

Apesar disso, ainda não há sinal de implementação do pacto. Fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters afirmam, no entanto, que o clima nas tratativas em Doha, no Catar, é considerado positivo.

Outro ponto da agenda entre os dois líderes foi o Irã. Antes da viagem aos EUA, Netanyahu adiantou que agradecerá pessoalmente a Trump pelos ataques realizados por forças americanas contra instalações nucleares iranianas no mês passado. As ofensivas resultaram em um cessar-fogo entre Israel e Irã após 12 dias de confrontos.

Trump reiterou sua intenção de impedir que o Irã retome seu programa de enriquecimento de urânio e sinalizou o desejo de retomar negociações com Teerã para impedir o desenvolvimento de uma bomba nuclear.

O jantar entre Trump e Netanyahu também tem valor estratégico. Além de fortalecer laços pessoais e políticos, o apoio mútuo entre os líderes visa consolidar um novo desenho geopolítico no Oriente Médio. Segundo o ministro israelense Avi Dichter, há interesse em discutir a normalização de relações com países como Líbano, Síria e Arábia Saudita.

Trump, por sua vez, mantém apoio explícito a Netanyahu, inclusive no campo judicial. No fim de junho, ele usou as redes sociais para criticar os promotores responsáveis pelo julgamento do primeiro-ministro israelense, acusado de suborno, fraude e abuso de confiança — acusações que Netanyahu nega. Trump argumentou que o processo pode enfraquecer a liderança de Netanyahu e prejudicar as negociações diplomáticas em curso.

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