Sem provas, Netanyahu acusa Hamas de alterar termos do cessar-fogo e gerar “crise de última hora”; grupo nega

Gabinete do premiê indicou que voto do texto pelo governo israelense, previsto para esta 5ª, deve atrasar

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (16) que seu Conselho de Ministros não se reunirá para aprovar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza até que o Hamas recue do que chamou de uma “crise de última hora”.

O gabinete de Netanyahu acusou o grupo militante palestino de voltar atrás em partes do acordo numa tentativa de “extorquir concessões de última hora”. No entanto, o premiê não forneceu mais detalhes.

O Conselho de Ministros israelense estava previsto para ratificar o acordo nesta quinta-feira. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo israelense deve aprovar texto e afirma que alguns detalhes do documento ainda precisam ser finalizados.

Um membro do Hamas afirmou à Reuters nesta quinta que o grupo está respeitando os termos do acordo anunciado pelos mediadores.

Catar e Estados Unidos anunciaram na tarde de quarta-feira o acordo, que prevê a libertação de dezenas de reféns e a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza. Os dois países, junto com o Egito, mediaram as negociações que se arrastaram por meses.

Veja termos do cessar-fogo

O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas entrará em vigor a partir de domingo (19). O tratado será implementado em fases, que ainda dependem de negociações. Enquanto isso, o governo de Israel deve votar o texto do acordo nesta quinta-feira (16).

Em linhas gerais, o acordo prevê o fim definitivo do conflito e a libertação de todos os reféns que ainda estão sob o poder do Hamas. Cerca de 100 pessoas das 250 que foram sequestradas pelo grupo militante em Israel, em outubro de 2023, continuam na Faixa de Gaza.

A primeira fase do acordo, que já está negociada, durará seis semanas e prevê a libertação de 33 reféns. Eles serão liberados aos poucos. Durante este período, Israel se compromete a retirar parte das tropas da Faixa de Gaza e a soltar prisioneiros palestinos.

A segunda fase do cessar-fogo começará a ser negociada a partir do início de fevereiro, enquanto a primeira etapa ainda estiver em vigor. A partir daí, Israel e Hamas tratarão da libertação dos demais reféns que estão com o grupo militante, incluindo os corpos daqueles que morreram.

Já a terceira e última fase também depende de negociações. Segundo o plano, nesta etapa serão acordados a reconstrução de Gaza e quem governará o território palestino.

Se tudo ocorrer dentro dos conformes, a implementação da última fase representaria um fim definitivo da retaliação de Israel, que já matou 45 mil palestinos em um ano e três meses.

O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman, pediu para que Israel e Hamas se comprometam a cumprir com o plano acordado.

Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ressaltou a importância da entrada de ajuda humanitária para os civis palestinos que estão em Gaza e lembrou das famílias israelenses vítimas dos ataques do Hamas.

“Mesmo enquanto celebramos esta notícia, lembramos todas as famílias cujos entes queridos foram mortos no ataque do Hamas em 7 de outubro, e as muitas pessoas inocentes que perderam a vida na guerra que se seguiu. Já passou da hora de os combates terminarem e de o trabalho de construir a paz e a segurança começar”, disse em comunicado.

O governo de Israel afirmou que alguns detalhes do acordo ainda precisam ser afinados. Segundo a Reuters, a expectativa é que a maioria dos ministros israelenses vote a favor do texto, abrindo caminho para a implementação do tratado a partir de domingo.

O acordo

Confira, em detalhes, como será o acordo de cessar-fogo em Gaza.

— 1º etapa, que durará seis semanas: o cessar-fogo prevê que 33 reféns sob o poder do Hamas sejam libertados. Entre eles estão mulheres, crianças e homens acima dos 50 anos. Além disso:

  • Israel vai retirar aos poucos as tropas da Faixa de Gaza.
  • 600 caminhões com ajuda humanitária vão entrar todos os dias no território palestino.
  • Israel vai soltar 30 prisioneiros palestinos para cada refém civil libertado, além de 50 prisioneiros palestinos para cada militar israelense libertado.
  • A expectativa é que Israel solte cerca de mil prisioneiros nesta primeira etapa. As prioridades são mulheres e crianças.
  • Israel diminuará sua presença no corredor da Filadélfia – uma faixa de território ao longo da fronteira de Gaza com o Egito.
  • A implementação do acordo será garantida pelo Catar, Egito e Estados Unidos.

— 2º etapa, que ainda será negociada: conclusão da libertação dos reféns sob o poder do Hamas, incluindo a devolução dos corpos daqueles que morreram. Além disso:

  • Em troca, Israel libertará mais prisioneiros e detidos palestinos, incluindo 30 que cumprem sentenças de prisão perpétua.
  • Integrantes do Hamas que participaram do ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel não serão libertados.
  • Forças de Israel serão totalmente retiradas da Faixa de Gaza.
  • Cessar-fogo passa a ser permanente.

— 3º etapa, que ainda será negociada: consiste nas negociações sobre a reconstrução de Gaza, que levaria ao fim do conflito. Porém, ainda existe um debate sobre quem comandará a região. Não há garantias de que o encerramento do conflito aconteça de fato.

Pessoas correm para apanhar pacotes de ajuda humanitária lançados sobre o norte da Faixa de Gaza em meio ao genocídio que Israel comete no território palestino em retaliação a um ataque do grupo militante Hamas — Foto: Omar Al-Qattaa/AFP

Quem governará Gaza?

Quem administrará Gaza após a retaliação genocida de Israel é uma incógnita nas negociações. Ao que tudo indica, essa questão foi deixada de fora da proposta atual pela complexidade e probabilidade de atrasar um acordo limitado.

A comunidade internacional insiste que Gaza deve ser administrada pelos palestinos, mas esforços para encontrar alternativas entre líderes da sociedade civil ou clãs locais têm sido amplamente infrutíferos.

No entanto, houve discussões entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos sobre uma administração provisória para governar Gaza até que uma Autoridade Palestina reformada possa assumir o controle.

Com informações do g1.

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