Nego Di é condenado a 14 anos de prisão por estelionato e lavagem de dinheiro

Justiça também condena esposa do influenciador por lavagem de dinheiro em esquema que envolveu rifas virtuais e prejuízo a milhares de vítimas

A Justiça condenou o influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A decisão envolve crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso.

Na mesma sentença, a esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, foi considerada culpada por lavagem de dinheiro e recebeu pena de 8 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado.

A decisão foi proferida nesta terça-feira (23) e aponta participação em um esquema de grande alcance financeiro.

Penas aplicadas pela justiça

Além da pena principal, Nego Di também foi condenado a 1 ano e 15 dias de prisão simples em regime semiaberto por promover uma loteria considerada ilegal.

As penas incluem ainda pagamento de multa, calculada com base no salário mínimo vigente à época dos fatos.

Segundo a sentença, o influenciador teve diferentes condenações somadas: lavagem de dinheiro, uso de documento falso, estelionato e promoção de loteria ilegal.

Esquema de rifas e prejuízos

De acordo com o Ministério Público, o influenciador teria promovido ao menos 34 rifas eletrônicas sem autorização entre novembro de 2022 e maio de 2024.

As ações eram divulgadas nas redes sociais e prometiam prêmios em dinheiro e bens, incluindo um Porsche Macan avaliado em cerca de R$ 500 mil.

As investigações apontam que o esquema teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 185,3 mil a pelo menos 9.683 pessoas.

O processo também cita a simulação de ganhadores e a divulgação de supostos sorteios como forma de manter aparência de legalidade.

Acusações de lavagem e documentos falsos

A Justiça entendeu que o casal teria atuado para ocultar a origem de mais de R$ 2,4 milhões, movimentando valores por meio de contas de terceiros e operações financeiras.

Outro ponto destacado foi o uso de um comprovante falso de doação de R$ 1 milhão para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, o valor real transferido teria sido de apenas R$ 100.

O juiz afirmou que havia estrutura organizada para dificultar o rastreamento do dinheiro e que as ações não foram isoladas, mas contínuas e planejadas.

Outros processos e histórico judicial

Além desta condenação, Nego Di também responde a outros processos envolvendo a loja virtual “Tá Di Zueira”, investigada por prejuízos a centenas de consumidores.

O influenciador chegou a ser preso preventivamente e depois obteve liberdade provisória, passando a cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça.

Em decisões anteriores, ele e o sócio também foram condenados por estelionato em outro caso ligado a vendas online, ainda em fase de recurso.

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