O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu neste sábado (27) à decisão dos Estados Unidos de revogar seu visto e acusou Washington de violar o direito internacional.
A medida foi anunciada um dia após o líder colombiano participar de um protesto pró-Palestina em Nova York e pedir que soldados americanos desobedecessem ordens do presidente Donald Trump.
Segundo Petro, a decisão tem caráter político e está relacionada às suas críticas às ações de Israel na Faixa de Gaza.
“Eu não tenho mais visto para viajar aos Estados Unidos. Não me importo. Não preciso de um visto… porque não sou apenas um cidadão colombiano, mas um cidadão europeu, e realmente me considero uma pessoa livre no mundo”, afirmou em publicação nas redes sociais.
Ele acrescentou ainda que “revogá-lo por denunciar genocídio mostra que os EUA não respeitam mais o direito internacional”. Israel nega a acusação de genocídio e sustenta que age em legítima defesa.
Manifestação em Nova York
Petro discursou para manifestantes reunidos em frente à sede da ONU, em Manhattan. No ato, defendeu a criação de uma força armada global com a missão de libertar os palestinos, afirmando que essa força “tem que ser maior do que a dos Estados Unidos”.
As declarações, somadas ao bloqueio de voos de deportação de migrantes determinado por seu governo no início do ano, reforçam o clima de tensão diplomática entre Bogotá e Washington desde o retorno de Trump ao poder.
Histórico de atritos
A Colômbia já viveu episódio semelhante em 1996, quando o então presidente Ernesto Samper também teve o visto americano revogado após acusações de que sua campanha havia sido financiada pelo cartel de Cali.
No caso de Petro, a relação com Washington vem se desgastando desde 2024. No ano passado, ele rompeu relações diplomáticas com Israel e suspendeu exportações colombianas de carvão ao país.
Já em julho deste ano, Colômbia e EUA chamaram de volta seus embaixadores depois que o presidente colombiano acusou funcionários americanos de planejar um golpe em Bogotá, o que foi classificado por Washington como uma acusação infundada.






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