“Não existem poderes hegemônicos”, afirma presidente do Supremo, após avanço no Congresso de propostas que limitam atribuições da Corte

Ao discursar no Congresso, na sessão solene que celebra os 35 anos da Constituição, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quinta-feira (5) que “não existem poderes hegemônicos e todos são parceiros pelo bem do Brasil”. A fala ocorre um dia depois de a Comissão de Constituição e…

Ao discursar no Congresso, na sessão solene que celebra os 35 anos da Constituição, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quinta-feira (5) que “não existem poderes hegemônicos e todos são parceiros pelo bem do Brasil”. A fala ocorre um dia depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado ter aprovado um projeto que impõe limites a decisões individuais de ministros do STF e outros tribunais.

O avanço do texto na CCJ ampliou a lista de divergências entre a mais alta instância do Judiciário e uma ala do Congresso Nacional, que discute ainda a imposição de mandatos aos integrantes da Corte e a possibilidade de o Legislativo reverter decisões do STF.

Barroso também ressaltou os avanços e os direitos às minorias garantidos pela Constituição.

— Dentre as conquistas que tivemos, temos a estabilidade institucional. Infelizmente temos uma tradição de golpes e rupturas da estabilidade. Também conseguimos a estabilização monetária. Em terceiro lugar, cito a inclusão social com a retirada de milhões de pessoas da linha da pobreza. Também destaco conquista de direitos fundamentais, como os direitos das mulheres e das populações afrodescendentes que conseguiram ascensão social ao assumirmos o nosso racismo estrutural. As uniões homoafetivas e a inclusão social de pessoas com deficiência também merecem ser celebradas. Não existem poderes hegemônicos, somos parceiros pelo bem do Brasil — afirmou.

A votação desta quarta-feira na CCJ do Senado durou apenas 42 segundos. O projeto aprovado em menos de um minuto, de maneira simbólica, ainda precisa ser submetido ao plenário da Casa e, se passar, receber a chancela da Câmara dos Deputados para entrar em vigor. O texto, no entanto, tem alcance amplo e gerou críticas no Judiciário e dentro do próprio Parlamento.

Barroso ressaltou que respeita a autonomia do Congresso em debater mudanças na legislação, mas se disse contrário às propostas que têm avançado no Parlamento recentemente:

— A nossa solução (para a vista) é mais rigorosa, porque vota em 90 dias — afirmou o ministro. — Não vejo razão para mexer na composição e no funcionamento do Supremo. E vejo com muita ressalva (a hipótese de revisão de decisões). Já tivemos um precedente, que foi a Constituição de 1937, da ditadura Vargas. Não parece um bom precedente.

Com informações de O Globo

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