Pacote anti-STF em discussão na Câmara é inconstitucional e será derrubado caso chegue ao Judiciário, avaliam ministros do Supremo

Magistrados consideram que propostas ferem princípio de separação de Poderes

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as propostas de emenda à Constituição (PECs) aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que limitam decisões da Corte e dão poder ao Congresso para sustar suas determinações, são inconstitucionais e provavelmente serão derrubadas caso cheguem ao Judiciário. Segundo integrantes do STF, as PECs apresentam “vício de origem”, uma vez que não foram propostas pelo próprio tribunal, e violam o princípio da separação de Poderes.

A primeira proposta, aprovada por 39 votos a 18, limita decisões individuais dos ministros. Já o segundo texto, que permite ao Congresso anular decisões do Supremo que supostamente “extrapolem os limites constitucionais”, também foi aprovado. A expectativa é que ambas as PECs sejam alvo de questionamentos no STF, que será o responsável por decidir sobre sua constitucionalidade.

Os ministros destacam que a proposta que limita decisões monocráticas já é objeto de um mandado de segurança apresentado pelo deputado Paulinho da Força. Ele argumenta que a medida fere a cláusula pétrea da Constituição, que garante a independência entre os Poderes. O ministro Nunes Marques, relator do caso, solicitou informações ao Congresso antes de qualquer deliberação.

A tramitação das propostas na Câmara ganhou força após o bom desempenho eleitoral da direita nas eleições municipais, impulsionando pautas defendidas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A base governista do presidente Lula se posicionou contra a aprovação dos textos na CCJ.

Com informações de O Globo

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