Foi constrangedor o clima entre o governador Cláudio Castro e o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, durante a cerimônia, no Palácio Guanabara, de sanção da lei que institui regime especial de tributação para fabricantes de produtos têxteis e confecções. Sentado à frente entre os representantes do setor, o inábil presidente da instituição ouviu poucas e boas do governador.
Ao discursar, lá pelas tantas, Castro fez referências mais do que diretas a Caetano, que ultimamente difunde críticas ao governo de modo reiterado. “É incrível como determinadas pessoas, com papel importante em instituições da sociedade, se comportam de modo lamentável. A gente se desdobra mas, infelizmente, há muita ingratidão onde deveria haver colaboração em nome do interesse público”, disparou Castro fitando os olhos num desconcertado Luiz Caetano.
O passa-fora de Castro tem a ver com as reiteradas críticas de Luiz Caetano ao governo do estado. No mais recente encontro do grupo Lide, a Firjan, através de um técnico designado pelo presidente, fez duríssimas censuras à gestão de Castro, especialmente ao bem-vindo, ainda que tardio, fim de parte das isenções fiscais proposto pelo governador em mensagem à Alerj. O ventríloquo de Caetano fez ainda referências sempre desairosas à política de segurança pública.
Acostumados a benesses em um ambiente de privilégios, líderes empresarias como o atual presidente da Firjan não se conformam em serem tratados de forma equilibrada, justa, sem as exceções tributárias que, como cachimbo, lhes entorta a boca. Reconheçamos, é difícil a abstinência de vícios, especialmente daqueles que nos favorece com benefícios injustificáveis num mercado de competição acirrada.
Entenda as críticas da Firjan
A Firjan se opõe ao projeto de lei que propõe aumentar o percentual do Fundo Orçamentário Temporário (FOT) de 10% para 30%, o que, segundo a entidade, configuraria um “tarifaço” a mais para a indústria.
Afirma que essa majoração vai agravar a competitividade da indústria fluminense, desincentivando novos investimentos e estimulando a saída das empresas que já operam no estado.
A entidade tem destacado que a imprevisibilidade nas regras fiscais (mudanças frequentes em incentivos, revogação de benefícios) mina o ambiente de negócios e torna os investimentos menos atraentes.







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