Muros de bairros fantasmas de Maceió têm pichações cobrando Brasken por colapso no solo da região

Os bairros Mutange e Bebedouro, na capital Maceió (AL), tiveram alguns de seus muros pichados por ex-moradores que desocuparam o local e cobram um posicionamento da mineradora Braskem, responsável pelo afundamento do solo na região. Desde 2019, mais de 55 mil pessoas deixaram os locais, hoje chamados de “bairros fantasmas”. A população diz ser vítima…

Os bairros Mutange e Bebedouro, na capital Maceió (AL), tiveram alguns de seus muros pichados por ex-moradores que desocuparam o local e cobram um posicionamento da mineradora Braskem, responsável pelo afundamento do solo na região. Desde 2019, mais de 55 mil pessoas deixaram os locais, hoje chamados de “bairros fantasmas”. A população diz ser vítima da empresa e que teve “sonhos destruídos”.

Em uma das frases pichadas, os ex-moradores questionam: “Braskem, me diz quanto vale o sal de nossas lágrimas?”.

Nos anos 1980 pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) já alertavam para o colapso do solo em bairros de Maceió ocasionado pela mineração de sal-gema realizada pela empresa Braskem, que atua na região desde a década 1970. As primeiras pesquisas que comprovaram a catástrofe, que atinge os bairros de Mutange e de Bebedouro, foram publicadas em 2010.

Pesquisas realizadas pela UFAL alertavam para os riscos de afundamento do solo devido a um aumento do nível do lençol freático na região. Em 2011, outro estudo publicado na revista científica Engineering Geology previu que o afundamento poderia atingir até 1,5 metro em algumas áreas da cidade.

Oito anos depois, em 2018, o desnivelamento começou a se tornar evidente. Em alguns bairros, rachaduras de 280 metros de extensão surgiram nas casas e nas ruas. A Braskem foi obrigada a interromper a mineração e a evacuar os moradores das áreas mais afetadas.

Desde 2019 mais de 14 mil imóveis precisaram ser desocupados na região, de acordo com a prefeitura, afetando cerca de 55 mil pessoas.

Em 2020, a Justiça de Alagoas determinou que a Braskem pagasse indenização às famílias afetadas pelo afundamento. A empresa também foi condenada a reparar os danos ambientais causados.

O risco iminente de colapso agravou o imbróglio que veio à tona em 2018 relacionado às quase cinco décadas de extração de sal-gema na capital alagoana. A mineradora diz já ter reservado R$ 14,4 bilhões para indenizações e reparações pelo afundamento de bairros na cidade, que obrigou a desocupação de 14 mil imóveis desde 2018. O governo estadual e o Ministério Público cobram, no entanto, um reconhecimento de novas áreas afetadas e de mais valores a serem pagos por parte da empresa, que acertou em julho uma reparação bilionária à prefeitura de Maceió.

Em nova atualização nesta sexta-feira (1), a Defesa Civil de Maceió informou que o solo na área afetada por mineradora afunda na velocidade de 2,6 centímetros por hora. A mina com risco de colapsar a qualquer momento é a de número 18, que fica localizada no bairro Mutange. O deslocamento vertical acumulado é de 1,42 metros, segundo o órgão.

A região permanece em alerta máximo devido ao risco iminente de colapso da mina da Braskem, que atua na região desde 1970. A Defesa Civil orientou que fosse evitada a circulação de pessoas e de embarcações na lagoa próximo ao local, que foi desocupado por causa do afundamento do solo causado pela mineração. Estudos mostram um aumento significativo na movimentação do solo, indicando a possibilidade de rompimento e surgimento de uma imensa cratera.

A mina citada pelo órgão é formada por cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração, mas que estavam sendo fechadas desde que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a atividade realizada pela Braskem havia provocado o fenômeno na região.

A mina citada pelo órgão é formada por cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração, mas que estavam sendo fechadas desde que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a atividade realizada pela Braskem havia provocado o fenômeno na região.

De acordo com a Braskem, a movimentação no solo foi registrada “em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro”, que foi isolada preventivamente.

Com informações de O Globo.

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