A Marinha do Brasil deu um passo significativo rumo à igualdade de gênero em suas fileiras. Nesta semana, uma nova portaria foi publicada permitindo, pela primeira vez, que mulheres militares tenham acesso irrestrito a todas as áreas operacionais da Força, incluindo atividades até então restritas, como operações em submarinos, mergulhos profissionais e o exigente curso de Operações Especiais.
Esse curso prepara militares para missões de alto risco, como infiltração em território inimigo, reconhecimento estratégico, sabotagem e contraterrorismo, informa Bela Megale, em O Globo.
Primeira força a ampliar horizonte feminino
Na última quarta-feira (1º), após a publicação da portaria que atualiza normas internas anteriormente estabelecidas em 2020. Com a mudança, a Marinha se torna a primeira entre as três Forças Armadas brasileiras a permitir a participação feminina em todos os seus setores operacionais sem restrições de gênero.
A atualização ocorre em meio a um movimento mais amplo de inclusão que a Marinha vem promovendo nos últimos anos. Em 2012, uma mulher alcançou pela primeira vez o posto de oficial-general. Dois anos depois, em 2014, a Escola Naval — a mais antiga instituição de ensino superior do país — formou sua primeira turma de aspirantes femininas.
Já em 2023, o Colégio Naval passou a admitir alunas em seus quadros, e agora, em 2025, a presença feminina finalmente se equipara à masculina também nas atividades operacionais mais exigentes.
Tenentes foram as primeiras a cursar aviação naval
Entre os avanços mais recentes, destacam-se a atuação das tenentes Helena e Isabela, que se tornaram as primeiras mulheres da Força a cursar aviação naval. Helena integra o Corpo de Fuzileiros Navais, enquanto Isabela faz parte do Corpo da Armada — este último, considerado o principal corpo de oficiais da Marinha e ao qual pertence o atual comandante da Força, almirante Olsen Sampaio.
Em setembro, outras duas militares também romperam barreiras: as soldados fuzileiros navais Ana Beatriz Lugon Loureiro e Jennifer Alves Assunção participaram da Operação Atlas, o maior exercício militar conjunto do país em 2025, operando um JLTV (Joint Light Tactical Vehicle), veículo blindado de última geração utilizado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e, mais recentemente, pelo Brasil. Ambas foram as primeiras mulheres da Marinha capacitadas para operar o equipamento.
Participação na Operação Atlas, com militares dos EUA
Realizada na região amazônica, a Operação Atlas tem como objetivo testar a capacidade de defesa do território nacional e a integração entre Marinha, Exército e Aeronáutica. A presença de militares mulheres em funções estratégicas e de combate neste exercício reforça a nova diretriz da Força: plena integração.
Especialistas em defesa nacional destacam que a decisão da Marinha reflete uma tendência internacional de ampliação da participação feminina nas Forças Armadas, alinhando o Brasil a países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Noruega, onde mulheres já atuam em submarinos, forças especiais e missões de combate há mais de uma década.
A expectativa, agora, é que outras Forças sigam o exemplo. Com a abertura total de caminhos operacionais, a Marinha envia uma mensagem clara: competência, preparo e mérito não têm gênero.






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