O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) negou ter utilizado recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para custear sua permanência nos Estados Unidos. A reação ocorreu após reportagem apontar que a Polícia Federal suspeita que recursos relacionados ao empresário possam ter sido usados para financiar despesas do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no exterior.
Eduardo Bolsonaro vive no Texas desde fevereiro do ano passado e classificou a suspeita como “tosca” em publicação nas redes sociais. Segundo ele, a investigação faz parte de uma tentativa de “assassinato de reputação” contra sua família.
O caso surge em meio à repercussão nacional envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Transferências sob investigação
A suspeita da Polícia Federal teria surgido após a identificação de transferências feitas pela empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Segundo a reportagem, a mesma estrutura financeira também teria sido utilizada no financiamento do filme “Dark Horse”.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirmou que seu status migratório nos Estados Unidos impediria o recebimento irregular de recursos.
“Não se sustenta e é tosca”, afirmou o ex-deputado ao comentar a investigação.
Situação migratória
Eduardo Bolsonaro, no entanto, não detalhou qual era sua condição migratória específica no momento em que as transferências investigadas teriam ocorrido.
O ex-parlamentar teve o passaporte diplomático cancelado em dezembro do ano passado, após a cassação de seu mandato parlamentar.
Segundo informações publicadas anteriormente pelo portal UOL, o processo de obtenção do green card de Eduardo Bolsonaro estaria em andamento nos Estados Unidos.
O advogado Paulo Calixto aparece entre os profissionais ligados ao caso migratório do ex-deputado.
Fundo no Texas
Mais cedo, durante entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro confirmou que recursos destinados ao filme “Dark Horse” passaram pelo Havengate Development Fund, fundo registrado no Texas e representado pelo advogado Paulo Calixto.
Apesar disso, Flávio negou que o dinheiro tenha sido utilizado para bancar despesas pessoais do irmão nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro também declarou que nunca exerceu função de gestão no fundo investigado.
“Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, afirmou.
Advogado e investimentos
Na mesma publicação, Eduardo Bolsonaro disse que Paulo Calixto não atua apenas na área migratória, mas também trabalha com gestão patrimonial e fundos de investimento há mais de uma década.
Segundo o ex-deputado, clientes de alto patrimônio procuram os serviços do escritório para transferir capital e residência aos Estados Unidos.
Eduardo também negou ser dono do filme “Dark Horse”, embora tenha afirmado fazer parte do grupo de investidores ligados ao projeto audiovisual. “O investimento foi feito nos Estados Unidos porque a produção foi americana, com atores americanos”, afirmou.
Filme e repercussão política
O longa “Dark Horse” se tornou centro de uma série de controvérsias após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e negociações relacionadas ao financiamento da produção.
Nos últimos dias, o caso provocou desgaste político no entorno bolsonarista e abriu novas frentes de investigação envolvendo recursos privados, fundos internacionais e contratos ligados ao filme.
Eduardo Bolsonaro também afirmou que investidores preferiram realizar aportes fora do Brasil por receio de exposição política e insegurança jurídica.
“Ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime”, escreveu.





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