Flávia Ferraço Judice, mulher do desembargador federal Macário Júdice Neto, preso pela Polícia Federal nesta terça-feira (16), ocupava um cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela atuava no gabinete da diretoria-geral da Casa até o início do mês passado, período em que já estavam em andamento as investigações que envolvem o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.
Apurações da PF indicam que o magistrado, relator do processo de TH Joias no TRF-2, pode ter contribuído para o vazamento de informações sobre a operação que mirava o ex-parlamentar. As informações foram divulgadas pelo blog de Lauro Jardim, de O Globo, e pelo jornalista Otávio Guedes.
Flávia Judice deixou o cargo por iniciativa própria, conforme ato da mesa diretora da Alerj publicado em 6 de novembro. Dados da folha de pagamento mostram que, em outubro, ela recebeu R$ 8,2 mil líquidos. A Assembleia sustenta que o pedido de exoneração foi espontâneo.
TH Joias foi preso em setembro, acusado de integrar o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal ao TRF-2.
Ainda de acordo com a investigação, ele teria sido alertado previamente sobre a ação policial pelo então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que acabou detido sob suspeita de vazamento de informações sigilosas e tentativa de obstrução das apurações.
Em nota, a Alerj afirmou que Flávia Judice nunca exerceu função no gabinete da presidência nem em gabinetes parlamentares. Segundo a Casa, ela estava vinculada exclusivamente à diretoria-geral, chefiada por Marco Brito, nomeado por Bacellar.
A Polícia Federal esclareceu que Flávia não é alvo da Operação Unha e Carne, cuja segunda fase foi deflagrada nesta terça-feira.
O desembargador Macário Judice declarou desconhecer articulações políticas internas da Alerj ou alianças entre Bacellar e TH Joias. Ele afirmou ainda que suas decisões no processo se basearam exclusivamente nos elementos dos autos e que fatores externos ou pessoais não influenciaram a decretação de medidas cautelares nem autorizações de busca, inclusive em dependências do Legislativo estadual.
Sobre a operação
Macário foi preso em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A ação faz parte do cumprimento de um mandado de prisão e dez mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além do Rio, há diligências sendo realizadas no Espírito Santo.
A segunda fase da Operação Unha e Carne também voltou a atingir o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele é alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira, após já ter sido preso na primeira etapa da investigação.
Bacellar havia sido solto posteriormente por decisão do plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas permanece no centro das apurações conduzidas pela Polícia Federal sob a supervisão do STF.






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