MPRJ denuncia esquema de lavagem de dinheiro de Bernardo Bello e descobre uso de mulher humilde como laranja do grupo

Mulher comprou duas casas no valor de R$ 1,8 milhão em um intervalo de três meses recebendo salário de apenas R$ 1.555,36

A investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) resultou na operação realizada nesta quinta-feira, revelando um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o bicheiro Bernardo Bello Pimentel Barbosa e sua organização criminosa.

Além de utilizar empresas para ocultar o dinheiro proveniente da exploração de jogos de azar e máquinas caça-níqueis, os investigadores descobriram que o grupo usou uma pessoa como “laranja” para esconder a propriedade de imóveis pertencentes ao contraventor e a Allan Diego Magalhães Aguiar, apontado como operador financeiro da organização. A mulher denunciada pelo MP comprou duas casas em um intervalo de três meses, embora recebesse um salário mensal de apenas R$ 1.555,36.

A partir das investigações, o Gaeco/MPRJ denunciou um total de 13 pessoas à Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Uma delas é Renata Maria Ruckert, apontada como “laranja” no esquema de ocultação de propriedades e bens de Bello e Allan Diego, segundo o MP. O órgão afirma que Renata permitiu a utilização de seus dados pessoais para figurar como adquirente do imóvel, mesmo ciente da origem ilícita dos valores empregados na compra.

Consta na denúncia que, em menos de três meses, Renata comprou dois imóveis relacionados a Bello e Allan Diego, pagando valor total superior a R$ 1,8 milhão. Os investigadores observam que o pagamento foi feito à vista, apesar de Renata não possuir condições financeiras para tal, conforme descrito na denúncia. À época da compra, Renata tinha um vínculo empregatício como gerente administrativo em um posto de gasolina, com um salário mensal de R$ 1.555,36.

De acordo com os investigadores, as empresas envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro do contraventor movimentaram cerca de R$ 159 milhões. Uma das empresas envolvidas no esquema movimentou, sozinha, aproximadamente R$ 79 milhões durante o período de oito meses em 2021. Outras duas empresas teriam movimentado R$ 80 milhões desde 2020.

A Polícia Civil solicitou o sequestro de veículos, embarcações, quotas sociais, imóveis e o bloqueio de saldos de contas e quaisquer bens, direitos e valores dos membros da organização criminosa vinculados às empresas envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro.

Na operação desta quinta-feira, os agentes cumpriram oito mandados de prisão e oito de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais. A ação, denominada Operação Às de Ouro III, é um desdobramento das operações Às de Ouro I e II, ocorridas em junho de 2022 e julho do ano passado, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ e a Polícia Civil.

Essas investigações surgiram durante a apuração do assassinato do advogado Carlos Daniel Dias, ocorrido em maio de 2022, no bairro do Cafubá, na Região Oceânica de Niterói. Foi então que os agentes e promotores descobriram que Bernardo Bello tinha Allan Diego como operador financeiro. Além disso, o pai e o irmão de Allan Diego, Evaldo de Aguiar e Renan Aguirre Magalhães Aguiar, também foram apontados como integrantes do núcleo criminoso pela polícia, embora não tenham mandados de prisão contra eles.

Bernardo Bello está foragido desde novembro de 2022 devido a outra operação do Ministério Público do Rio, com cinco mandados de prisão em aberto contra ele. As autoridades continuam em busca de sua localização e de seus comparsas que também estão com mandados de prisão em aberto.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading