Estudantes de diferentes estados convocam manifestações para este sábado, dia 22, com o objetivo de pressionar pela anulação integral do Enem 2025. A mobilização ganhou força após o Inep decidir cancelar apenas três questões da prova, mesmo depois de vir à tona que o universitário cearense Edcley Teixeira exibiu, dias antes do exame, itens quase idênticos aos aplicados na avaliação de matemática e ciências da natureza.
Organizados sob o movimento Anula Enem, alunos afirmam ter sido prejudicados e utilizam redes como WhatsApp e Telegram para coordenar protestos em capitais do país. Em São Paulo, o ato está previsto para o Masp, na avenida Paulista.
Indignação nas redes e articulação dos atos
A estudante Letícia Araújo, de 21 anos, é uma das responsáveis pela articulação nacional. Segundo ela, o grupo surgiu na terça-feira, dia 18, logo após a repercussão do caso. Letícia relata ter se sentido lesada ao saber da existência das questões semelhantes. Ela afirma que passou o ano inteiro estudando e que cada ponto faz diferença na disputa pelas vagas universitárias.
Moradora do Rio de Janeiro, Letícia tenta o Enem pela segunda vez e sonha em cursar ciências biológicas na Unirio. A ideia de organizar manifestações, afirma, veio ao acompanhar a indignação de outros estudantes no X, antigo Twitter.
Reivindicações do movimento
O grupo pede a anulação total da prova, a renovação do banco de itens e a responsabilização dos envolvidos. Também reivindica mudanças nos pré-testes realizados no âmbito do Prêmio Capes Talento Universitário, que servem de base para a calibração das questões aplicadas no Enem.
As avaliações do exame seguem a TRI, Teoria de Resposta ao Item, que mede dificuldade, compara versões diferentes da prova e identifica acertos por chute. Para isso, as questões passam por pré-testes destinados a públicos semelhantes aos do ensino médio, incluindo provas vinculadas ao prêmio da Capes, voltadas a recém-egressos da educação básica.
A polêmica das questões antecipadas
A crise se aprofundou após viralizar uma live em que Edcley Teixeira, estudante de medicina da Universidade Federal do Ceará, apresentava suas apostas para o exame e exibiu ao menos cinco questões muito semelhantes às que foram aplicadas no domingo das provas. Ele disse ter decorado os itens após participar do prêmio da Capes, a convite do Ministério da Educação.
Pelo menos três das questões antecipadas pelo universitário haviam sido usadas em pré-testes para construção do banco de itens, aplicados a calouros do ensino superior no âmbito da premiação. A divulgação provocou reação imediata entre estudantes, que passaram a organizar mobilizações nacionais.
Letícia afirma que conheceu os demais administradores no mesmo dia em que criou o grupo no WhatsApp. Segundo ela, a ida às ruas é uma forma de mostrar que os jovens se mobilizam também fora do ambiente virtual.






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