O presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), causou forte repercussão política ao nomear um deputado da oposição como relator do projeto que suspende o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A escolha foi anunciada por Motta em uma rede social na noite desta terça-feira (24).
O escolhido para relatar a matéria foi o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), integrante da base bolsonarista e autor de um pedido de CPI para investigar irregularidades na Previdência. A proposta que está sob análise visa anular os efeitos de uma norma editada pelo governo em junho, que corrigia um decreto anterior, também do Planalto, publicado em maio, e que havia elevado as alíquotas do IOF.
A decisão de Hugo Motta atendeu a pressões da oposição e de parlamentares de centro que demonstram crescente insatisfação com a política econômica do governo federal e a demora na liberação de emendas parlamentares. A urgência para a tramitação do projeto já foi aprovada, e a expectativa é de que o texto seja discutido ainda nesta quarta-feira.
Líder do PT diz que decisão de Motta é “grave erro”
A escolha de Chrisóstomo gerou forte reação entre deputados da base governista. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), criticou abertamente a condução de Motta. “Eu acho que é um grave erro ter pautado isso. Colocar o coronel Chrisóstomo como relator parece uma provocação meio infantil. Um tema tão importante. Eu estou sendo duro aqui nas palavras porque não nos resta outra alternativa”, afirmou o petista.
Durante a manhã, parlamentares aliados ao Planalto também acusaram Motta de não ter comunicado previamente a mudança na pauta de votações da comissão, o que foi interpretado como uma manobra para favorecer a oposição. Para esses deputados, a escolha do relator representa um sinal de alinhamento de Motta com os interesses do PL e do bloco oposicionista.
Por outro lado, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), celebrou a decisão. “O governo tentou atrasar a pauta do IOF, mas a urgência falou por si só. A relatoria está nas mãos do Partido Liberal, com o deputado Coronel Chrisóstomo, que representa a luta por justiça fiscal e alívio para o povo brasileiro”, declarou.
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