Mortes cometidas pela PM de São Paulo sobem 94% no primeiro bimestre de 2024, em meio a operação na Baixada Santista

Total de pessoas mortas pela polícia militar do estado saltou de 69 para 134 do 1º bimestre de 2023 para 2024, segundo números do Ministério Público.

O número de mortes cometidas por policiais militares no estado de São Paulo cresceu 94% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2023, primeiro ano de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à frente do governo de São Paulo.

Houve um salto de 69 para 134 mortes no período. É o que aponta um levantamento feito pela GloboNews e pelo portal g1 com base nos números divulgados pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público Estadual.

Mortes pela polícia em SP — 1º bimestre

AnoMortes
2024134
202369
202252
2021129
2020183
2019125
2018141
2017163
Fonte: MPSP

Em nota ao portal g1, a Secretaria da Segurança Pública do governo, gerida por Guilherme Derrite, afirmou que “não comenta pesquisas cuja metodologia desconhece” e que a “opção pelo confronto é sempre do suspeito, que coloca em risco a vida do policial e da população”.

Esses números incluem mortes cometidas por PMs de serviço e de folga em todo território paulista. De acordo com os dados do Gaesp, a alta foi puxada pelas mortes cometidas por PMs em serviço, que saltaram 129% (de 49 para 112) entre os primeiros bimestres de 2023 e 2024.

Já as mortes cometidas por PMs de folga cresceram 10% (de 20 para 22) no mesmo comparativo.

Letalidade maior em fevereiro

Os números do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) apontam um mês de fevereiro com uma letalidade policial mais alta do que a registrada em janeiro deste ano.

Segundo o Gaesp, em fevereiro deste ano, 79 pessoas foram mortas pela PM no estado de São Paulo, o que representa uma alta de 174% em relação às 32 mortes contabilizadas em fevereiro de 2023.

Em janeiro deste ano, a PM matou 55 pessoas no estado, 49% a mais dos que as 37 registradas em janeiro do ano passado, segundo números do Gaesp.

Mortes de PMs e de civis na Baixada Santista

Foi em fevereiro deste ano que a Secretaria da Segurança Pública deflagrou uma nova fase da Operação Verão, com reforço do policiamento na Baixada Santista. A ação ocorreu como resposta ao assassinato do soldado Samuel Wesley Cosmo, da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), no dia 2. O governo chegou a transferir o gabinete da Segurança Pública para a região.

Mortes por PMs no 1º bimestre em SP:

  • Estado: 134
  • Baixada Santista: 63
  • Capital: 29

Ao todo, 43 pessoas foram mortas só na região da Baixada entre os dias 3 e 29 do mês passado. A Baixada Santista já havia registrado o dobro de mortos do que a capital São Paulo (20 a 10) nas mortes registradas em janeiro, fato inédito desde 2017 — ainda de acordo com o MP.

O aumento das mortes em intervenções da PM ocorre em meio a operações de combate ao crime organizado, segundo o governo, e em resposta aos assassinatos de policiais militares na região. Três PMs foram assassinados na região no início deste ano.

Em 12 dias, morreram:

  • 26 de janeiro: Marcelo Augusto da Silva morreu, vítima de disparos, ao voltar do serviço na Rodovia Anchieta, em Cubatão. Ele atuava no 38ºBatalhão (Fazenda da Juta, Zona Leste de São Paulo);
  • 2 de fevereiro: Samuel Wesley Cosmo foi assassinato com um tiro no rosto ao patrulhar uma viela em Santos. Ele integrava a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). A câmera corporal no uniforme do PM registrou o momento em que ele foi baleado (veja acima);
  • 7 de fevereiro: José Silveira dos Santos morreu baleado também em patrulhamento, já em ações decorrentes da morte de Cosmo.

Em visita à Baixada Santista no domingo (3), a Ouvidoria das Polícias de São Paulo afirmou que vê “intimidação” da PM após 39 mortes dentro da Operação Verão. O ouvidor, Cláudio Aparecido da Silva, citou ter obtido provas de coação.

“Nós temos prova da intimidação. A prova da intimidação que a gente colheu aqui hoje é um vídeo em que os policiais invadem uma cerimônia de sepultamento de uma vítima”, disse.

O Ministério Público de São Paulo criou um grupo com quatro promotores para acompanhar as operações policiais na Baixada Santista. Os trabalhos têm duração de seis meses, que podem ser prorrogados, para investigar todas as mortes da Operação Verão a partir do assassinato do PM Cosmo, em 2 de fevereiro.

Com informações do g1.

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