A morte de Victor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, durante uma ação policial em Caraíva, distrito de Porto Seguro, no sul da Bahia, gerou forte comoção e protestos da comunidade local. Segundo informações do portal Diário do Centro do Mundo, Victor — conhecido como Vitinho — era guia turístico e foi morto no último fim de semana após ser detido e algemado por policiais enquanto se dirigia ao trabalho.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a operação envolvia as Polícias Militar, Civil e Federal, que cumpriam um mandado de prisão contra um suspeito conhecido como “Alongado”. A versão oficial é de que houve resistência à prisão e troca de tiros. “O criminoso resistiu à prisão e acabou ferido. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos”, afirmou a SSP em nota. A pasta também declarou que a ação fazia parte de uma ofensiva conjunta contra o crime organizado na região.
No entanto, moradores da comunidade e amigos de Victor rejeitam veementemente essa narrativa. “Caraíva acordou revoltada porque mataram mais um inocente. Não vamos aceitar que esse caso seja abafado ou tratado como efeito colateral. Estamos falando de racismo estrutural, de violência do Estado, e de uma vida que foi tirada sem explicação”, disse Joice Terlone, amiga da vítima.
Segundo ela, Victor estava apenas fazendo a travessia de rotina para buscar hóspedes na beira do rio, como costumava fazer no fim da tarde. “A polícia decidiu fazer uma ‘ação de inteligência’ em um vilarejo turístico, num sábado às 18h, colocando a vida de moradores e visitantes em risco”, criticou.
Joice também relatou que o corpo de Victor foi encontrado com sinais de violência. “Encontraram ele com o rosto desfigurado, olhos inchados, joelhos feridos, marcas de coronhada”, afirmou. Moradores reforçam que não houve confronto e que Victor não portava arma.
Desde o ocorrido, comércios e pousadas estão fechados em protesto. A travessia de barco até Caraíva também foi interrompida. Os atos têm como principal demanda a investigação rigorosa do caso e a responsabilização dos envolvidos.
Organizações da sociedade civil e ativistas de direitos humanos também passaram a acompanhar o caso, que expõe novamente o debate sobre violência policial e racismo estrutural no Brasil. O episódio se soma a uma série de denúncias sobre o uso excessivo da força por parte de agentes de segurança em comunidades periféricas e tradicionais.
Até o momento, a SSP-BA não respondeu às novas acusações feitas por moradores, tampouco divulgou os nomes dos policiais envolvidos na ação. A família de Victor Cerqueira, abalada, exige justiça.





