O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, telefonou nesta semana para o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, aposentado em outubro, informa Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. A ligação ocorreu em meio à crise política envolvendo a nomeação e após sinais de que Moraes vinha apoiando outro nome para o posto.
O ministro era entusiasta da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que lidera uma ofensiva para barrar a escolha de Messias no plenário. A indicação de Lula, no entanto, tornou inviável a alternativa defendida por Moraes e por parte da cúpula do Senado.
Isolamento dentro do Supremo pressiona mudança de postura
Enquanto a resistência de Alcolumbre segue intensa, o clima entre os ministros do STF caminha na direção oposta. Nomes como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes elogiariam abertamente ou nos bastidores a indicação do advogado-geral. Alguns deles, como Mendonça, inclusive se mobilizaram para buscar votos no Senado e tentar reverter o quadro desfavorável.
A posição de Moraes passou a ser vista como isolada diante da adesão dos colegas. Segundo integrantes da Corte ouvidos pela coluna, o ministro deve aceitar a realidade do “fato consumado” e retirar definitivamente o apoio à candidatura de Pacheco, uma vez que Lula não abriria mão de sua prerrogativa de indicar o nome ao Supremo.
A leitura nos bastidores é de que, caso Messias seja aprovado pelo Senado, Moraes acabará se somando aos demais ministros nas boas-vindas e na integração do novo colega ao tribunal.
Dino segue como único ministro que não cumprimentou o indicado
A movimentação política expôs ainda outra fricção interna. De acordo com relatos, o único ministro do STF que não cumprimentou Messias até agora, seja pública ou privadamente, foi Flávio Dino. Ele e o advogado-geral tiveram desentendimentos ainda no início da atual gestão de Lula, quando ambos integravam o governo federal.
Mesmo assim, ministros avaliam que a tendência é de normalização das relações internas assim que o Senado definir o destino da indicação. A sabatina e a votação devem ocorrer em 10 de dezembro, em meio à maior disputa por uma vaga no Supremo desde o retorno da democracia.






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