Moraes é o ministro do STF mais conhecido do país, aponta Datafolha

Pesquisa mostra alta visibilidade de ministros, mas aponta percepção de excesso de poder e desgaste institucional

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta que o ministro Alexandre de Moraes é, de longe, o integrante mais conhecido do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o levantamento, 89% dos brasileiros afirmam conhecer o magistrado, que atua como relator de investigações sobre desinformação e milícias digitais e tem sido alvo frequente de críticas da oposição.

Na sequência, aparecem a ministra Cármen Lúcia, conhecida por 68% dos entrevistados, e o ministro Gilmar Mendes, com 62%. O estudo indica que, no geral, ao menos seis dos dez ministros atualmente em atividade são conhecidos pela maioria da população.

O levantamento também mostrou que, na pergunta espontânea — sem apresentação prévia de nomes —, 49% dos entrevistados conseguiram citar ao menos um integrante da Corte.

Conhecimento varia entre os ministros

Os ministros com menor grau de conhecimento são aqueles que ingressaram mais recentemente no Supremo. Entre eles estão Kassio Nunes Marques, conhecido por 30%, Cristiano Zanin, com 37%, e André Mendonça, com 42%.

A pesquisa também destaca que o STF atualmente conta com uma vaga em aberto, após a saída de Luís Roberto Barroso. A indicação de Jorge Messias está prevista para sabatina no Senado no dia 29.

Avaliação dos ministros entre quem os conhece

Além do grau de conhecimento, o Datafolha mediu a avaliação dos ministros entre os entrevistados que afirmaram conhecê-los. O índice considera a diferença entre avaliações positivas e negativas.

Nesse cenário, o ministro André Mendonça apresentou o melhor desempenho, com índice de 26 pontos. Ele é avaliado como ótimo ou bom por 39% dos que o conhecem, enquanto 13% o classificam como ruim ou péssimo.

Já o ministro Dias Toffoli registrou o pior resultado. Conhecido por 54% da população, teve 35% de avaliações negativas e 19% positivas, resultando em índice de -16.

Outros ministros apresentam avaliações intermediárias, com predominância de percepções regulares ou divisão entre opiniões positivas e negativas.

Percepção de excesso de poder e papel institucional

A pesquisa também investigou a percepção da população sobre o papel do STF. De acordo com os dados, 75% dos entrevistados afirmam que os ministros têm poder em excesso. Por outro lado, 71% consideram que a Corte exerce função essencial na proteção da democracia.

O levantamento ainda indica uma percepção de perda de confiança na instituição: 75% dizem que os brasileiros acreditam menos no STF hoje do que no passado, enquanto 20% discordam dessa avaliação.

Os dados revelam diferenças entre grupos de eleitores. Entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 88% consideram que há excesso de poder por parte dos ministros. Já entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, esse índice é de 64%.

Por outro lado, 84% dos eleitores de Lula afirmam que o STF é essencial para a democracia, enquanto entre os eleitores de Bolsonaro esse percentual é de 60%.

Entre os que votaram em branco, anularam ou não escolheram candidato, 67% avaliam que os ministros têm poder demais, e 73% reconhecem a importância da Corte para o regime democrático.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos na amostra geral.

Para os recortes específicos de avaliação dos ministros, a margem de erro varia entre dois e quatro pontos percentuais, dependendo do grau de conhecimento de cada magistrado.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

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