Moraes autoriza visitas de líder do PL e outros aliados de Bolsonaro a Braga Netto em prisão militar

Ministro do STF libera agenda com 17 encontros até outubro, incluindo parlamentares, ex-ministros e generais ligados ao ex-presidente

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma série de visitas ao general da reserva Walter Braga Netto, que cumpre pena de prisão no Comando da 1ª Divisão de Exército. A informação foi divulgada por Lauro Jardim, em O Globo.

Segundo a publicação, Moraes liberou de uma só vez 17 visitas ao ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Os encontros já estão agendados e deverão ocorrer ao longo dos próximos quatro meses, até outubro.

A lista de visitantes inclui importantes figuras políticas ligadas ao campo conservador e ao governo Bolsonaro. Entre os nomes autorizados estão o senador Carlos Portinho, líder do Partido Liberal (PL) no Senado, e o deputado federal Cabo Gilberto, uma das principais vozes da oposição na Câmara dos Deputados.

Ex-ministros estão entre os visitantes

Além dos parlamentares, a relação contempla ex-integrantes do governo Bolsonaro. Foram autorizadas visitas da senadora Damares Alves, que comandou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; de Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social; e de Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde durante a pandemia de Covid-19.

Também receberam autorização os generais Luiz Eduardo Ramos e Eduardo Pazuello, ambos ex-ministros e integrantes do núcleo mais próximo do ex-presidente ao longo de sua gestão.

Grupo reúne militares e aliados históricos

De acordo com a reportagem, a maior parte dos visitantes autorizados é formada por militares. Entre eles está Waldir Ferraz, considerado um dos mais fiéis aliados de Bolsonaro dentro das Forças Armadas.

A lista inclui ainda Eduardo José Barbosa, ex-presidente do Clube Militar; Sérgio José Pereira, que ocupou o cargo de secretário-geral do Ministério da Defesa; e Laerte de Souza Santos, conhecido nos meios militares como “general das armas”. O militar ganhou notoriedade por revogar normas que tratavam do rastreamento de armas e munições em posse de civis.

Condenação por trama golpista

Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado investigada após as eleições presidenciais de 2022. A decisão o responsabilizou por cinco crimes relacionados à articulação que buscava impedir a posse do presidente eleito e enfraquecer as instituições democráticas.

Entre as acusações está a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A condenação integra um conjunto de processos que apuraram a atuação de autoridades civis e militares na chamada trama golpista, investigada pelas autoridades brasileiras após os eventos que sucederam o pleito presidencial.

Com a autorização das visitas, Braga Netto deverá receber regularmente políticos, ex-integrantes do governo e militares de sua confiança durante os próximos meses, enquanto permanece custodiado na unidade militar onde cumpre pena.

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