O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (9) que há sinais concretos de infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A declaração foi feita durante o julgamento que discute o modelo de sucessão do governador Cláudio Castro (PL).
Segundo Moraes, a relação entre organizações criminosas e agentes políticos no estado “não é ficção, não é invenção, não é algo romanceado”. O ministro classificou o cenário fluminense como “anômalo” e citou episódios recentes envolvendo autoridades da Casa legislativa.
Casos recentes e ligações com milícias
Durante seu voto, Moraes lembrou a prisão do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), detido pela Polícia Federal sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho. O ministro destacou que, mesmo após a prisão, a própria Assembleia decidiu pela soltura do parlamentar.
O magistrado também mencionou o julgamento dos mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), analisado pela Primeira Turma do STF. Segundo ele, ficou comprovada a ligação entre milícias de Rio das Pedras e integrantes da Alerj.
“Temos que lembrar que, há poucas semanas, foram condenados um deputado federal e um conselheiro do Tribunal de Contas”, afirmou. Moraes ainda citou a recente retomada da prisão de um ex-presidente da Casa, supostamente ligado ao deputado conhecido como TH Joias, por conexões com o Comando Vermelho.
Defesa de revisão sobre prisão de parlamentares
Moraes defendeu que o STF reveja o entendimento que permite às assembleias legislativas decidirem sobre a manutenção ou revogação de prisões de seus membros. Para ele, o modelo atual favorece a impunidade.
“Diferentemente do Congresso, nenhuma assembleia mantém a prisão, todas soltam imediatamente”, criticou. O ministro voltou a citar o caso de Bacellar, que, mesmo após ser solto, teria permanecido no comando político da Casa.
Gilmar Mendes menciona mesadas do jogo do bicho
Na mesma sessão, o ministro Gilmar Mendes também fez referência à influência do crime organizado na política fluminense. Ele afirmou ter recebido informações de que cerca de 30 deputados estaduais estariam recebendo “mesadas do jogo do bicho”.
De acordo com Mendes, os dados foram apresentados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em conversa recente. “32 ou 34 parlamentares da Assembleia receberiam mesadas do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”, disse.
Fux rebate críticas e defende classe política
As declarações provocaram reação do ministro Luiz Fux, que criticou o que considerou generalizações negativas sobre o estado. Carioca, ele defendeu a qualidade da representação política fluminense.
“Há bons políticos no estado”, afirmou, ressaltando que a bancada do Rio na Câmara dos Deputados conta com “excelentes quadros”. Fux também argumentou que escândalos de corrupção não são exclusivos do Rio de Janeiro.
O ministro citou julgamentos como o Mensalão, a Operação Lava Jato e outros casos recentes para sustentar que problemas semelhantes ocorreram em diferentes regiões do país. “Se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, declarou.






Deixe um comentário