Missa solene abre Conclave que definirá sucessor de Francisco no Vaticano; cardeal pede unidade da Igreja em momento “difícil e complexo”

Cardeais iniciam votação nesta quarta na Capela Sistina e fumaça branca poderá indicar novo papa a partir da tarde

Começou às 5h desta quarta-feira (7/5), no horário de Brasília, a missa “Pro Eligendo Romano Pontifice”, celebrada na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A cerimônia, que antecede a abertura oficial do conclave, marca o início das atividades que levarão à escolha do novo líder da Igreja Católica, sucessor do papa Francisco. As informações são do Vaticano News e foram divulgadas também por agências internacionais.

Todos os cardeais com direito a voto participaram da missa, que tem caráter solene e representa a última ocasião em que os eleitores se reúnem publicamente antes do isolamento obrigatório durante o processo eleitoral. Ainda nesta quarta-feira, à tarde, os cardeais seguirão em procissão até a Capela Sistina, onde todas as etapas do conclave serão realizadas.

A partir do momento em que ingressam na capela, os cardeais fazem individualmente um juramento de sigilo absoluto sobre as discussões e votações. Também assumem o compromisso de fidelidade ao novo pontífice, seja qual for o eleito. Após os juramentos, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias anuncia o “extra omnes” — expressão em latim que determina a retirada de todas as pessoas não envolvidas diretamente no processo eleitoral.

Ficam na capela apenas o mestre das cerimônias e um eclesiástico, encarregado de conduzir uma breve meditação espiritual, centrada na responsabilidade e na consciência dos eleitores. Em seguida, ambos também se retiram, e os cardeais permanecem sozinhos para iniciar formalmente as votações.

Antes do primeiro escrutínio, os participantes rezam e escutam o cardeal decano, responsável por confirmar se o colégio está pronto para iniciar o processo ou se há dúvidas a serem esclarecidas.

Homilia

Na homilia, o decano Giovanni Battista Re ressaltou a importância de manutenção da unidade da Igreja, mas ressaltou que unidade não significa uniformidade. “Mas comunhão sólida e profunda na diversidade, desde que se permaneça plenamente fiel ao Evangelho”, disse o decano. “Estamos aqui para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar a sua luz e a sua força, a fim de que seja eleito o papa que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história.”

“Entre as tarefas de cada Sucessor de Pedro conta-se a de fazer crescer a comunhão: comunhão de todos os cristãos com Cristo, comunhão dos bispos com o Papa e comunhão dos Bispos entre si. Não uma comunhão autorreferencial, mas totalmente orientada para a comunhão entre as pessoas, os povos e as culturas”, afirmou.

Fumaça reveladora

O Vaticano divulgou na terça-feira (6/5) os horários aproximados em que a tradicional fumaça será lançada pela chaminé da Capela Sistina, indicando o resultado de cada rodada de votação. Segundo o porta-voz Matteo Bruni, os sinais visuais ocorrerão em dois períodos principais do dia:

  • Pela manhã, entre 5h30 e 7h (horário de Brasília)
  • À tarde, entre 12h30 e 14h (horário de Brasília)

No entanto, no primeiro dia de conclave, a primeira fumaça está prevista apenas para depois das 14h, pois os cardeais só começarão a votar por volta das 11h30.

A partir do segundo dia, os sinais poderão ocorrer nos horários regulares da manhã e da tarde. A fumaça preta indica que não houve consenso entre os eleitores. Já a fumaça branca é o sinal de que um novo papa foi escolhido.

Como funciona a eleição

O processo de votação ocorre exclusivamente dentro da Capela Sistina, que permanece completamente isolada do mundo exterior. Os cardeais estão proibidos de manter qualquer tipo de comunicação com o público externo, seja por telefone, mensagens, rádio, televisão ou qualquer outro meio.

Para que um candidato seja eleito papa, é necessário obter pelo menos dois terços dos votos. Como o atual conclave conta com 133 cardeais eleitores, são necessários no mínimo 89 votos para que um nome seja declarado vencedor.

Ao final de cada rodada de votação, as cédulas são queimadas e a fumaça é emitida para informar o público sobre o resultado. Caso não haja consenso após três dias consecutivos de votações, os cardeais têm a possibilidade de interromper o processo por até 24 horas para reflexão, orações e uma orientação espiritual conduzida pelo cardeal protodiácono, Dominique Mamberti.

Veja, abaixo, uma arte feita pelo portal Metrópoles para explicar como ocorre a escolha.

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