Às vésperas de um dos julgamentos mais aguardados dos últimos anos, familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes promovem neste sábado (21), às 9h, uma missa em memória das vítimas na Igreja da Penha, no Rio. A celebração ocorre dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar a responsabilidade dos acusados de mandar matar a vereadora e o motorista, assassinados em 2018.
A missa será realizada na Basílica Santuário de Nossa Senhora da Penha de França, no Largo da Penha, 19, bairro da Penha, Zona Norte do Rio. O ato reunirá familiares, amigos e apoiadores. Ao final da cerimônia, está previsto um breve momento de conversa da família com a imprensa.
“Quase oito anos esperando por justiça”
A mãe de Marielle, Dona Marinete Silva, afirma que o momento é de fé e resistência.
“São quase oito anos esperando por justiça. Essa missa é um momento de fé, mas também de reafirmação da nossa luta. Acreditamos na justiça brasileira e esperamos que o país receba, finalmente, a resposta que merece”, declarou.
O pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva, destacou a mobilização popular ao longo dos anos.
“Nossa família nunca esteve sozinha. Caminhamos junto com milhares de pessoas que transformaram dor em mobilização. Agora, esperamos que a justiça seja feita e que esse julgamento marque um novo capítulo para o Brasil.”
Luyara Franco, filha de Marielle e diretora do Instituto Marielle Franco, afirmou que o julgamento ultrapassa a esfera familiar.
“O julgamento dos mandantes é um marco que vai além da nossa família. Ele diz respeito à democracia brasileira. Não é só sobre o passado, é sobre garantir que nunca mais a violência política silencie vozes como a da minha mãe.”
Julgamento no STF será nos dias 24 e 25
O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, marcou para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 o julgamento do caso. A data foi definida após pedido do relator, ministro Alexandre de Moraes.
O processo está pronto para julgamento após o encerramento da instrução e a apresentação das alegações finais do Ministério Público, das assistentes de acusação e das defesas.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro. O carro em que estavam foi seguido por criminosos, que efetuaram diversos disparos. Marielle e Anderson morreram no local. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao atentado.
Na época, a segurança pública do Estado do Rio estava sob intervenção federal, decretada pelo presidente Michel Temer (MDB). O interventor nomeado para comandar a operação foi o general Walter Braga Netto, que em 2025 foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado, por participação na tentativa de golpe de Estado.
Quem são os réus
Respondem ao processo na Primeira Turma do STF:
- Chiquinho Brazão, deputado federal, e Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio — apontados pela Polícia Federal como mandantes do crime;
- Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ, acusado de ser o mentor intelectual do atentado;
- Ronald Paulo Alves Pereira (Major Ronald) — citado por Ronnie Lessa, preso como executor, como responsável por monitorar a rotina de Marielle;
- Robson Calixto Fonseca (Peixe) — ex-PM e ex-assessor de Domingos Brazão, suspeito de ajudar a ocultar a arma e de integrar o núcleo financeiro e imobiliário do grupo.
A denúncia, já recebida integralmente pela Primeira Turma, inclui crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa.
Como será o julgamento
O relator Alexandre de Moraes abrirá a sessão com a leitura do relatório, resumo das investigações e das etapas do processo.
Em seguida:
- A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá uma hora para sustentar a acusação, com manifestação prevista do vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand;
- Cada um dos cinco réus terá uma hora para a defesa;
- Após as sustentações orais, começam os votos dos ministros.
A ordem prevista é: Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, por fim, o presidente da Turma, Flávio Dino.
Não há limite de tempo para os votos. São necessários pelo menos três votos para condenação ou absolvição. Em caso de condenação, os ministros definirão as penas conforme a participação de cada acusado.
Tanto a PGR quanto as defesas poderão apresentar recursos após o julgamento.
Serviço
Missa em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes
ILocal: greja da Penha – Largo da Penha, 19 – Penha, Rio de Janeiro Horário: 9h






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