O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (10) que o Hospital Federal de Bonsucesso, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, passará a ser administrado pelo Grupo Hospitalar Conceição, uma empresa pública vinculada ao ministério. Em entrevista ao RJTV, o secretário adjunto de Atenção Especializada à Saúde, Nilton Pereira Júnior, afirmou que a reabertura da emergência está prevista para acontecer até o fim deste ano.
Segundo Pereira Júnior, a nova gestão começará na próxima semana e, em até 45 dias, será iniciado um processo seletivo para a contratação de mais de 2 mil novos profissionais para o hospital.
Ele destacou que, de forma gradual, a unidade terá a totalidade dos seus 207 leitos reaberta até o fim de novembro ou início de dezembro, incluindo salas de cirurgia e leitos de UTI. Ele ainda ressaltou que alguns serviços que estão fechados há anos serão retomados, além da adoção de novos atendimentos.
A sala da direção do Hospital Federal de Bonsucesso está ocupada, desde a última quarta-feira, por um grupo de 40 servidores. Segundo o sindicato que representa a categoria, o protesto ocorre contra a transferência da gestão da unidade, em negociação no Ministério da Saúde, para o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), empresa pública que administra três hospitais, uma UPA e 15 postos no Rio Grande do Sul.
Inaugurado em 1948, o hospital às margens da Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio, já foi referência em especialidades como oncologia e transplantes. Atualmente, no entanto, apenas 41% de seus 412 leitos estão ocupados, e o restante, fechado.
— Somos contra a entrega dos hospitais federais e estamos dizendo não ao Grupo Conceição. São cinco meses de greve, tempo em que estamos tentando abrir um diálogo com o governo. Defendemos a realização de concurso público e que nenhum trabalhador por Contrato Temporário da União (CTU) seja dispensado — afirmou o diretor do sindicato, Sidney Castro, referindo-se à forma de contratação atualmente de parcela significativa dos profissionais de saúde da unidade. — Não dá para dispensar 1.800 servidores agora em novembro e dezembro, e a população ficar prejudicada — acrescentou.
A situação de penúria no Bonsucesso se arrasta há anos. Um incêndio em outubro de 2020, que provocou a morte de três pacientes, agravou a situação. As chamas começaram no prédio onde funcionava a ala de tratamento intensivo, evidenciando problemas na infraestrutura da unidade. O hospital foi parcialmente fechado e os atendimentos foram direcionados para outros hospitais.
Na época, houve uma sobrecarga no sistema de saúde do Rio, que já enfrentava os desafios impostos pela pandemia de Covid-19. Com o fechamento parcial e as reformas que se seguiram, o hospital passou a operar de forma limitada, impactando milhares de pacientes que dependiam dos seus serviços de alta complexidade.
Além do incêndio, o HFB também enfrentou outros problemas, como a falta crônica de insumos, medicamentos e equipes, afetando diretamente a qualidade do atendimento. O hospital se tornou um exemplo do descaso e da falta de investimentos na rede federal de saúde, levantando discussões sobre a eficiência da gestão pública e a necessidade de reformulação estrutural. As dificuldades enfrentadas pelos pacientes, muitos dos quais em tratamento oncológico, e os relatos de filas e atrasos em cirurgias e exames essenciais alimentaram ainda mais a insatisfação.
Entre os seis hospitais federais no Rio, o do Andaraí passa por um processo de transição para uma possível gestão compartilhada com o município do Rio. Para o Hospital Federal dos Servidores do Estado, é estudada a transferência da unidade para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Nessa divisão, o Hospital Federal da Lagoa ficaria com a Fundação Oswaldo Cruz ou o governo estadual. O destino do Hospital Federal de Ipanema é incerto, e existe a intenção do Ministério da Saúde de negociar que o Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, fique com a prefeitura.
Antes, no entanto, será preciso acertar os detalhes do Hospital do Andaraí. O Ministério quer que o município do Rio assuma o controle total dessa unidade, cujo orçamento seria de R$ 400 milhões por ano.
Em agosto, o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, afirmou em entrevista ao Globo que a pasta está buscando meios de fazer com que os seis hospitais voltem a funcionar:
— O que estamos fazendo não é um fatiamento, é uma integração. A pressa em fazer esses acordos é porque a gente quer resolver o problema, mas existe cautela. Faz sentido, dentro da regra do SUS, descentralizar e buscar gestões que tragam mais eficiência — sustentou.
Com informações de O Globo.





