Soldados israelenses invadiram o complexo do Hospital Al Shifa, em Gaza, na madrugada de segunda-feira, em uma operação que, segundo as autoridades de saúde palestinas, causou várias vítimas e provocou um incêndio intenso em um dos prédios.
Os militares israelenses disseram que os soldados conduziram uma “operação precisa” com base na informação de que o hospital estava sendo usado por líderes seniores do Hamas, e foram alvejados quando entraram no complexo.
“As tropas responderam com fogo real. Nossas tropas continuam a operar na área do hospital”, afirmaram em um comunicado.
Al Shifa, o maior hospital da Faixa de Gaza antes da guerra, é agora uma das únicas instalações de saúde que está parcialmente operacional no norte do território, e também está abrigando centenas de civis deslocados.
Segundo pessoas que estavam dentro do prédio, o cenário dentro no local era de pânico. À BBC, o vice-diretor do departamento de emergência de Al-Shifa, Amjad Eliwah, afirmou que havia cerca de 20 médicos, 60 enfermeiras e centenas de pacientes no local. Segundo ele, a equipe tentou se esconder de ataques de drones israelenses após ouvir tiros por volta das 2h30.
“Qualquer pessoa no terreno do hospital foi alvo”, disse o médico à rede britânica. “Há muitos feridos, pessoas estão sangrando. Minha equipe está escondida nos corredores –eles receberam ordens de um alto-falante para não se moverem.”
Ainda de acordo com o relato de Eliwah à BBC, Israel invadiu duas escolas nas proximidades do hospital, prendeu os homens que estavam ali e ordenou que as mulheres saíssem do local. Segundo Israel, 80 pessoas foram presas durante a operação.
“De repente, começamos a ouvir sons de explosões, vários bombardeios, e logo os tanques começaram a manobrar, eles vieram da via ocidental e seguiram em direção a Al Shifa, depois os sons de tiros e explosões aumentaram”, disse à Reuters Mohammad Ali, de 32 anos, pai de dois filhos, que mora a cerca de um quilômetro do hospital, por meio de um aplicativo de bate-papo.
“Não sabemos o que está acontecendo, mas parece que foi uma outra invasão à Cidade de Gaza”, acrescentou, dizendo que as atividades militares começaram por volta de 1h da manhã.
O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, disse que um incêndio começou na entrada do complexo hospitalar, causando casos de sufocamento entre mulheres e crianças que se abrigavam no hospital. Afirmou também que a comunicação foi interrompida, com as pessoas presas dentro das unidades de cirurgia e emergência de um dos prédios.
“Há vítimas, incluindo mortos e feridos, e é impossível resgatar qualquer pessoa devido à intensidade do fogo e à mira de quem se aproxima das janelas”, disse o ministério.
O Exército israelense lançou novos panfletos ao redor do hospital na Cidade de Gaza.
“Para todos aqueles que existem ou estão deslocados em Rimal e os deslocados em Al Shifa e seus arredores: vocês estão em uma zona de combate perigosa. A força israelense está operando duramente em suas áreas residenciais para destruir a infraestrutura terrorista”, disse a nota, ordenando que as pessoas tomassem a estrada costeira em direção a Al-Mawasi, no sul da Faixa de Gaza.
O Hamas declarou em um comunicado que os militares israelenses cometeram um novo crime ao atacar diretamente os prédios do hospital sem se preocupar com os pacientes, a equipe médica ou os desabrigados que lá se encontravam.
Com informações do 247 e Folha de S. Paulo.





