Milhares de mulheres no Chile fazem vigília nos 50 anos do golpe militar: “Ditadura nunca mais” (vídeo)

Na véspera dos 50 anos do golpe militar no Chile, ocorrido em 11 de setembro de 1973, quando o general Pinochet derrubou o governo socialista do presidente eleito Salvador Allende, o povo chileno se reuniu em frente ao Palácio Presidencial para rememorar a data. Cerca de 12 mil mulheres, vestidas de preto, com velas nas…

Na véspera dos 50 anos do golpe militar no Chile, ocorrido em 11 de setembro de 1973, quando o general Pinochet derrubou o governo socialista do presidente eleito Salvador Allende, o povo chileno se reuniu em frente ao Palácio Presidencial para rememorar a data.

Cerca de 12 mil mulheres, vestidas de preto, com velas nas mãos, participaram de uma vigília, numa simbólica proteção do Palácio La Moneda, bombardeado há 50 anos, durante o golpe de Estado: “Ditadura nunca mais”, elas gritaram (veja vídeo no final da reportagem).

A manifestação, que pretende proteger simbolicamente a democracia, realizou-se em silêncio, quebrado de vez em quando por palavras de ordem emocionadas.

“As mulheres foram muito prejudicadas – foram mães, esposas e filhas de presos, desaparecidos e mortos pela ditadura. Ocupamos um papel fundamental na família, núcleo fundamental da sociedade e sobre cada uma de nós, houve um peso tremendo de dor”, desabafa a manifestante Lídia Massardo, de 57 anos.

Os milhares de velas femininas visavam também “iluminar” o caminho dos que se foram e pedir que a Justiça abandone a cegueira.

Augusto Pinochet deixou o governo em 1990, ao ser derrotado num plebiscito em 1988, mas não perdeu o poder. Manteve-se como chefe do Exército, um cargo com autonomia dos demais poderes da República e depois tornou-se senador vitalício, cargo criado por ele para manter o poder e a impunidade. Morreu em 2006 sem ser condenado.

“E é por isso que ainda está tudo muito vivo, porque 50 anos depois não há justiça. Todos nós procuraremos pelos nossos parentes desaparecidos até o último dos nossos dias. Isso é vital. Se quisermos avançar, tem de haver justiça. Para se perdoar, é preciso a verdade, caso contrário, isto vai-se arrastar eternamente”, diz a manifestante Melissa Leyton, de 33 anos.

As pequenas chamas das velas também representam essa esperança por encontrar os 1.162 desaparecidos que ainda não foram encontrados.

A 21 de agosto, o supremo tribunal condenou três agentes da antiga Direção de Inteligência Nacional (DINA), a polícia secreta de Pinochet, por aplicarem torturas de violência sexual num centro clandestino de prisão, tortura e morte conhecido como “Venda sexy”.

Segundo o Ministério da Mulher, 3.399 mulheres declararam ter sofrido violência sexual durante torturas cometidas durante a ditadura.

Com informações do Portal Visão.

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