Após ser lançada como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal por Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro adotou um tom cauteloso e evitou confirmar qualquer projeto eleitoral. A ex-primeira-dama afirmou que, neste momento, sua prioridade segue sendo o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília, e as filhas do casal.
Em publicação nas redes sociais, Michelle escreveu: “Como tudo na minha vida, o meu futuro político eu entrego nas mãos de Deus. Digo novamente, com coração em paz: a minha prioridade é e sempre será o meu marido e as minhas filhas”. Ela acrescentou que recebe com “carinho as manifestações do povo brasiliense” para que seja candidata pelo Distrito Federal, mas não cravou a intenção de disputar o cargo.
Prioridade é Bolsonaro
Cotada anteriormente até mesmo para uma eventual corrida ao Planalto, Michelle destacou que o ex-presidente está “com a saúde debilitada desde 2018” e afirmou que “a maior preocupação (dela) é concentrar todo o esforço em seus cuidados”. No mesmo texto, agradeceu a “compreensão” de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, pelo período de licença da função de presidente do PL Mulher.
A manifestação ocorreu dois dias depois de o pré-candidato do PL à Presidência afirmar, em entrevista, que Michelle disputará a vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Na ocasião, ele ressaltou que cada integrante da família contribuirá com sua campanha ao Planalto “dentro da sua área e na internet”.
Tensões e recados internos
O posicionamento público da ex-primeira-dama se soma a episódios recentes de divergência dentro da família Bolsonaro. Michelle protagonizou embates ao defender a candidatura da deputada federal Caroline de Toni ao Senado em Santa Catarina, após a parlamentar perder espaço na chapa do governador Jorge Mello para a entrada de Carlos Bolsonaro.
Em dezembro, Michelle também declarou apoio à pré-candidatura de Flávio, escolhido pelo pai para representá-lo nas urnas, poucos dias depois de um desentendimento interno envolvendo a estratégia do PL no Ceará. Na ocasião, ela se manifestou contra a aproximação de bolsonaristas no estado com Ciro Gomes e acabou sendo criticada publicamente por Flávio, Eduardo e Carlos.
Mal-estar após a prisão
As divergências ganharam força após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, quando a definição de Flávio como porta-voz do ex-presidente gerou desconforto. Michelle teria reclamado a aliados por não ter sido consultada, já que até então era a única da família a ter contato direto com o ex-mandatário.
O clima voltou a azedar quando, em janeiro, Michelle curtiu um comentário nas redes sociais em que a esposa de Tarcísio de Freitas afirmava que ele deveria ser o “novo CEO” do Brasil. A interação foi interpretada por aliados de Flávio como sinal de falta de endosso ao seu nome. O blogueiro Allan dos Santos criticou publicamente a ex-primeira-dama, que reagiu dizendo que ele fazia “acusações levianas”.
Em meio a acenos, recuos e mensagens públicas, Michelle mantém o discurso de cautela e reforça que qualquer decisão sobre o próprio futuro político dependerá de circunstâncias familiares e da avaliação de Jair Bolsonaro, mantendo em aberto o desenho eleitoral do grupo para 2026.






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