Michelle ameaça deixar o PL, mas recua após reunião com aliadas

Ex-primeira-dama teria decidido deixar a legenda após reunião com Valdemar Costa Neto, mas mudou de posição após encontro com Damares Alves e Celina Leão

A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (30). A ex-primeira-dama chegou a manifestar a intenção de deixar o PL durante uma reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Horas depois, porém, ela teria recuado da decisão após conversas com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

A permanência de Michelle no partido é considerada estratégica por aliados, principalmente por causa da pré-candidatura dela ao Senado pelo Distrito Federal, que poderia ser inviabilizada em caso de desfiliação.

Reunião com Valdemar

O encontro entre Michelle e Valdemar ocorreu na sede nacional do PL, em Brasília, pouco depois das 15h.

Durante a conversa, a ex-primeira-dama teria demonstrado a intenção de romper com a legenda em meio ao desgaste provocado pela crise com Flávio Bolsonaro.

Valdemar Costa Neto fez um apelo para que Michelle reconsiderasse a decisão, mas ela deixou a reunião ainda determinada a abandonar o partido, segundo os relatos.

Damares e Celina entram na articulação

Após deixar a sede do PL, Michelle seguiu para o Palácio do Buriti, onde se reuniu com a governadora Celina Leão e com a senadora Damares Alves, duas de suas principais aliadas políticas.

Michelle chegou ao encontro mantendo o discurso de que deixaria a legenda. No entanto, após as conversas, foi convencida a adiar a desfiliação e, por enquanto, limitar a mudança à saída da presidência do PL Mulher.

A avaliação do grupo político é de que a permanência no partido oferece mais tempo para reorganizar as articulações e reduzir os efeitos da crise interna.

Candidatura ao Senado segue em aberto

A estratégia dos aliados é manter Michelle no PL pelo menos até as convenções partidárias, previstas para o fim de julho.

O objetivo é preservar sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, considerada prioritária por lideranças do partido e também pela governadora Celina Leão, que conta com o apoio político da ex-primeira-dama para fortalecer seu projeto de reeleição ao Governo do Distrito Federal.

Crise com Flávio continua

A turbulência dentro do PL começou após Michelle tornar públicas críticas ao senador Flávio Bolsonaro, afirmando ter sido “humilhada” e “apunhalada” pelo enteado. Na sequência, ela deixou de seguir Flávio e Carlos Bolsonaro nas redes sociais, ampliando a percepção de rompimento dentro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Embora a desfiliação tenha sido descartada, ao menos por enquanto, o episódio evidencia o momento de instabilidade vivido pelo PL às vésperas das definições para as eleições de 2026.

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